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O
EFEITO TERAPÊUTICO DA BIODANÇA SOBRE
O ESTRESSE PSICOLÓGICO.
Geny Aparecida Cantos; Rodrigo Schütz
1- O processo de homeostase.
O ser humano, por natureza, procura manter um
equilíbrio de suas forças internas,
com todos os órgãos, trabalhando
em harmonia. Assim, quando tudo está bem,
o coração pulsa com freqüência
ideal e igualmente outros órgãos
funcionam como “uma máquina calibrada”
em perfeito equilíbrio biológico.
O estado de equilíbrio dos vários
sistemas do organismo entre si e do organismo
como um todo e com o meio ambiente é chamado
de homeostase.
Contudo, quando o equilíbrio for alterado
por um agente estressor, ou seja, por qualquer
situação que desperte uma emoção,
boa ou má, isto constituirá numa
fonte de estresse. Independente do fator que causou
o estresse nosso corpo faz um esforço para
adaptar à nova situação (Nahas,
2001). Se a reação for a favor,
tem-se o estresse positivo (eustresse, com o grego
elemento eu, “bom” mais estresse)
e se desencadear um desequilíbrio no organismo
ocorrerá o estresse negativo (diestresse
do grego dys, por contraposição
do elemento eu).
Para Hans Seley (1974), cada pessoa leva consigo
uma capacidade de resistir ao estresse. A essa
capacidade ele chamou de energia de adaptação
e, segundo esse pesquisador, o indivíduo
pode treinar seu organismo, de maneira a desenvolver
tal energia, enfrentando melhor às situações
de estresse. Mas cada um tem o seu limite e responde
de forma peculiar a situações de
estresse. As necessidades corporais variam de
momento, conforme as influências e solicitações
internas e externas. O que pode representar um
grande problema para uns, pode ser gerenciado
com tranqüilidade por outros. Reconhecer
os primeiros sinais de tensão e então
fazer algo a respeito pode significar uma importante
diferença na qualidade de vida.
2. Efeitos fisiológicos do estresse
psicológico
A estrutura e os conflitos intrapsíquicos,
frutos de cada indivíduo, a personalidade
e a sua história vida de cada um podem
pode se constituir numa fonte de ameaças.
Pode-se dizer que o estresse psicológico
é possivelmente o estado emocional negativo
resultante daquilo que as pessoas percebem que
lhes ocasiona pressão emocional, e que
excede, portanto, suas habilidades para enfrentá-lo.
Acredita-se que essa reação emocional
dispara um conjunto de reações fisiológicas
que suprimem as defesas naturais do corpo, tornando-o
suscetível à produção
de células anormais, devido a um desequilíbrio
profundo mental, hormonal, orgânico e psicológico.
Segundo a neurociência, os estados emocionais
são acompanhados por reações
das moléculas de emoção:
os neurotransmissores e os hormônios. Assim,
a nível fisiológico o estresse atua
sobre a hipófise liberando o hormônio
adrenocorticotrófico (ACTH), o qual tem
uma ação sobre glândulas supra-renais
(que ficam sobre os rins), fazendo com que elas
aumentem a liberação de hormônios
como adrenalina e cortisol.
Numa situação de curto prazo, a
adrenalina mobiliza a reação de
lutar ou fugir, sendo que a taxa de glicose precisa
ser elevada no sangue para que haja energia disponível
durante este processo. O estresse se torna negativo
quando não há tempo para recuperação
do organismo, ou quando a pessoa reage de forma
hostil às situações. Nos
dois casos, quando a adrenalina não é
suficiente o corpo precisa secretar cortisol.
A produção excessiva de cortisol
prejudica um processamento da função
cognitiva e também da criatividade, interferindo
junto aos receptores que captam a memória,
à medida que eles atravessam a sinapse.
Em conseqüência as pessoas com uma
produção excessiva de cortisol perdem
a capacidade de assimilarem as informações.
Adicionalmente, o aumento de cortisol leva a um
aumento das necessidades nutricionais, podendo
diminuir as quantidades de magnésio “um
mineral calmante”. Assim, quanto mais vulnerável
for o indivíduo ao estresse maior perda
ocorrerá desse elemento. Por outro lado,
o magnésio é a “contra partida”
do cálcio, e esses dois minerais, normalmente,
mantêm o equilíbrio um do outro.
Outros nutrientes como vitaminas C e E, que ajudam
a proteger o cérebro dos radicais livres,
também são esgotados em situação
de estresse.
Via cortisol, o estresse, acelera também
o metabolismo de carboidratos e de um neuropeptídeo
Y, que motiva o desejo de consumir carboidrato.
Esse mecanismo é a razão pela qual
muitas pessoas excedem ao comer doces e alimentos
contendo amido quando estão estressadas.
3. Saúde e doença
Nós somos um sistema composto de diversas
unidades que são, ao mesmo tempo, autônomas
e integradas entre si, fazendo parte de um conjunto
maior. Nenhum sistema é independente do
outro. Pode-se dizer que saúde seria quando
o corpo, a mente e os sentimentos se inter-relacionam
harmoniosamente e em equilíbrio com o meio
ambiente em um processo contínuo de vida.
Contrapondo ao conceito de saúde, doença
significa a perda relativa da harmonia ou então
da perturbação dessa harmonia, que
se manifesta na consciência e no organismo
humano, sendo este sempre visto como parte da
natureza, estando sujeito às forças
naturais. Para Nahas (2001) toda doença
é resultado da interação
do agente agressor (alguma causa psicológica
ou física) e a resposta do organismo. Assim,
uma doença não é só
um fato físico, e sim, um problema que
diz respeito à pessoa como um todo: corpo,
emoções e mente. Para Capra (1988)
a doença é vista como um sinal de
falta de cuidado da parte do indivíduo.
4. O sistema biodança e sua aplicação
em desequilíbrios emocionais.
Nos dias de hoje, as áreas do conhecimento
estão se relacionadas com a corporalidade
e com o movimento humano consciente, de forma
a processar interligações de atividades
motoras e mentais. Nossa cultura valoriza demais
o racional, estimulando muito os resultados analíticos
como a capacidade de lógica, o pensamento,
a palavra, de forma a gerar uma dissociação
entre as capacidades perceptivas, a motricidade,
a afetividade e as funções.
Costuma ser desafiante a tarefa de sugerir medidas
gerais, de cunho psicossocial, que objetivem ampliar
o nível de conscientização
do indivíduo sobre seu modo de viver, sobretudo
no que diz respeito ao estabelecimento de metas
reais alcançáveis, de tal modo que
possa fazer uma coisa de cada vez, melhorando
à percepção de que certos
hábitos de vida que deterioram a saúde.
Contudo é de responsabilidade de cada um
cuidar do seu corpo, (respeitando as normas sociais
e vivendo de acordo com as leis do Universo).
Isto significa que quanto mais o indivíduo
procurar estilos saudáveis e prazerosos,
mais isso se refletirá em sua vida de forma
positiva, diminuindo o risco de doenças.
Nessa perspectiva, considera-se que há
múltiplas formas de buscar essa harmonização,
como tai-chi-chuan, meditação, orações,
ioga, psicoterapia, reiki, exercícios físicos
e outras formas como a prática de hábitos
alimentares adequados, na prática de exercícios
físicos. Contudo, um dos mecanismos eficazes
de conseguir essa harmonia é por meio da
biodança, onde se trabalha com parte que
ainda permanece sã do indivíduo.
A função terapêutica da biodança
consiste num conjunto organizado, no qual cada
uma das partes é inseparável da
função da totalidade, sendo também
um sistema holístico de trabalho com o
ser humano, onde o indivíduo entra em contato
com seus próprios recursos de auto-regulação
e a cura vem de motivações internas
carregadas de emoção.
Nesta abordagem multidimensional os problemas
emocionais não são isolados do contexto
mais amplo de sua vida. Reconhece-se que o organismo
está em constante interação
com seu ambiente natural e social. A concepção
de saúde passaria por um processo de equilíbrio
dinâmico, onde o organismo humano interage
com o meio ambiente de forma natural e dinâmica.
Na biodança acredita-se que por meio das
lentes da afetividade do mundo intrapsíquico
a pessoa poderá valorizar de forma menos
traumática os conflitos íntimos,
suas frustrações e sentimentos de
perdas. O indivíduo poderá ser conduzido
de forma a se sentir amado e valorizado, cuidado
e protegido e membro de uma rede de interações
e comunicações que funcione de maneira
franca e precisa. As cerimônias de encontro
despertam a sensibilidade elevando qualidade da
saúde, para desenvolver potenciais herdados
geneticamente e restabelecer o vínculo
afetivo nós mesmos, com o próximo
e com a natureza.
Por outro lado, com a troca de calor e afeto,
e ao som da música o corpo passa por uma
dança de hormônios (substâncias
produzidas por glândulas de secreção
externa) e de neurotransmissores, de forma que
o centro regulador límbico-hipotalâmico
(centro das emoções e instintos)
pode gerar entre outras coisas a resistência
ao estresse e um melhor funcionamento dos órgãos
internos.
Por meio dos movimentos e músicas vigorosas
a noradrelina e dopamina (neurotransmissores)
podem ter sua produção estimulada
provocando uma reação adrenérgica
no organismo, proporcionando energia e disposição.
Carinhosamente podemos chamá-los de mensageiros
da alegria. Porém durante os movimentos
lentos e suaves, o parasssimpático é
estimulado havendo maior produção
de acetilcolina e a seratonina (outros neurotransmissores),
levando o indivíduo a tranqüilidade.
Por outro lado, os níveis de cortisol (hormônio)
despencam, contagiando o cérebro e cada
célula do organismo com uma sensação
de conforto e felicidade.
Assim, por meio dos vários ritmos, as várias
partes do cérebro “dialogam”
pulsando e regulando e as pessoas vão se
soltando e melhorando sua qualidade de vida, a
qualidade das suas relações. Há
um desbloqueio das energias estagnadas, aliviando
as tensões musculares, diminuindo o estresse
do dia-a-dia. Trabalhos realizados por Tadros
(1994) e Cantos (2005) comprovam os benefícios
da biodança contra a depressão e
diestresse (estresse negativo), respectivamente.
Há um abrandamento dos ritmos cardíacos
e respiratórios e a tensão arterial
diminui – quadro ideal para evitar doenças
cardiovasculares e viver plenamente por muitos
e muitos anos.
Considera-se ainda que quando a pessoa é
tocada a quantidade de hemoglobina no sangue aumenta
significativamente. A hemoglobina é à
parte do sangue que leva o suprimento vital de
oxigênio para todos os órgãos
do corpo, incluindo coração e cérebro.
O aumento da hemoglobina ativa todo o corpo, auxilia
a prevenir doenças e acelera a recuperação
do organismo, no caso de alguma enfermidade.
Diga-se que na biodança o movimento é
integrado, isto é, há uma união
coerente entre sentimento, pensamento e ação
e essa integração é importante
para que haja o equilíbrio. Por meio da
dança, da música e de movimentos
específicos o indivíduo pode entrar
em contato consigo mesmo, integrando o psíquico
e o somático, de forma a interferir positivamente
no seu pensar sentir e agir. E as danças
são concebidas para induzir novas formas
comunicação, estimulando expressão
identidade, realizando uma reeducação
afetiva, integrando a unidade orgânica e
induzindo processos de expansão da consciência.
O processo de indução de vivências
integradoras promove o encontro e a experiência
humana com os próprios genéticos,
provocando mudanças no sentir, pensar e
agir das pessoas que participam. Esse processo
de renovação, por meio da vivência,
(re) conduz o participante ao papel de principal
personagem da sua própria vida, fortalecendo
sua identidade, ao mesmo tempo em que desenvolve
sua vinculação com a espécie.
Somos todos iguais, nas emoções,
nos desejos, na alegria e no sofrimento.
E a conquista do bem estar dependerá das
sementes plantadas por cada um. Na maioria das
vezes as pessoas têm liberdade de escolha,
e pode definir os rumos de sua vida. Mas como
se pode conseguir isso? Uma forma é poder
olhar para os seus próprios sentimentos
e perguntar, com sinceridade, o que está
causando este problema interior. É muitas
vezes reconhecer as próprias limitações,
reconhecendo e aceitando a si mesmo. E depois
é buscar alternativas que possa mobilizar
para encontro da serenidade, começando
a procurar por aquilo que melhor, experimentar
alguns dos prazeres mais sutis da vida.
Somente com a mente aberta para essa possibilidade,
é que será possível transformar
situações desagradáveis em
grandes descobertas. E os erros poderão
transformar-se em uma fonte de aprendizado e de
compreensão com as imperfeições
alheias.
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