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EDUCAÇÃO
BIOCÊNTRICA
UM PORTAL DE ACESSO À INTELIGÊNCIA
AFETIVA
Ruth Cavalcante
O pensamento pedagógico e social no Brasil
e no mundo de hoje sugere que a grande demanda
na formação dos educadores é
de natureza didática, ou seja, é
preciso aprender, cada vez mais, como ensinar.
Na minha estreita convivência com os colegas
educadores, como técnica da Secretaria
de Educação do Município
Fortaleza, professora de escola pública
e privada e consultora de diversas instituições
educacionais, discordo desse ponto de vista, pois
considero que a maior necessidade na área
da formação de docentes é
criar um espaço que permita a expressão
da identidade dos educadores e desperte uma nova
visão de si mesmo e do mundo numa interdependência
entre o pensamento e o mundo.
Isso me foi sendo revelado na minha vivência
de educa-dora e em algumas dezenas de encontros
sobre formação de educadores realizados
através do Departamento de Cursos e Consultorias
do Centro de Desenvolvimento Humano – CDH,
de cuja direção tenho a alegria
de participar desde 1981. Foi nessa Instituição,
que este ano celebra suas Bodas de Prata, que
se formaram centenas de profissionais das áreas
de Educação, Saúde e Ciências
Humanas em geral, dentro da visão de inteireza
do ser humano que pretendemos refletir neste artigo.
Tivemos oportunidade de transformar o CDH no maior
centro de construção desse novo
saber e pudemos acompanhar principalmente os educadores,
demonstrando de diversas formas que o objetivo
da sua ação pedagógica não
se restringe apenas a desenvolver a capacidade
do educando de aproveitar as fontes de conhecimento,
mas também a considerar a necessidade de
interação educador/edu-cando com
os o que o cercam e com o meio, sentindo prazer
em estar e conviver com os outros.
Penso que um dos caminhos para se efetivar mais
rapidamente uma mudança paradigmática
na educação contempo-rânea
é o cuidado com a formação
dos educadores. Não é neces-sária
uma análise muito aprofundada da formação
tradicional dos educadores para observarmos que,
de fato, dentro desse modelo convencional o destaque
é preferencialmente para o aspecto cognitivo.
Há uma grande dificuldade para sair do
modelo de construção do conhecimento
fundamentado muitas vezes em teorias de ensino-aprendizagem
que já não atendem às neces-sidades
de uma realidade em permanente transformação.
Assim constatamos que a educação
centrou-se, ultima-mente, no acúmulo de
conhecimento e preparação intelectual
e tecnológica tanto dos educandos quanto
dos educadores, esque-cendo outras dimensões
de necessidades do ser humano. Segundo Cândida
Morais:
Se estamos preocupados em formar indivíduos
criativos, cooperativos, solidários e fraternos,
mais integrados e harmo-niosos, capazes de explorar
o universo de suas construções intelec-tuais,
teremos de optar por um tipo de paradigma educacional
diferente dos modelos convencionais atuais e que,
por sua vez, foram influenciados por determinadas
correntes psicológicas e filosóficas
ancoradas num determinado paradigma adotado pela
ciência. Se quisermos formar indivíduos
intelectuais e humana-mente competentes e bem
formados, capazes de aceitar desafios, construir
e reconstruir teorias, discutir hipóteses,
confrontadas com o real, formar seres em condições
de influenciar na construção de
uma ciência no futuro ou participar dela,
então, necessariamente, o paradigma educacional
precisa ser revisto. (1996:20)
O que urge nos tempos de hoje é convidar
os educadores a uma reflexão no caminho
de conhecerem-se a si mesmos, permi-tindo-lhes
assim encontrar-se com o seu saber e a sua sabedoria.
O conhecimento do conhecimento os levará
a uma atitude de cons-tante vigilância para
não se apegar às suas certezas e
verdades, mas permanecer abertos à percepção
de um mundo que produzimos juntos, nós
e os outros, um mundo que se move em direção
à auto-regulação, à
felicidade e à vida plena.
Já que sua prática profissional
é a docente, o educador deverá estar
muito consciente de que ela exige um alto nível
de responsabilidade por lidar, não apenas
com a construção teórico-pedagógica,
mas com os sonhos, utopias e esperanças
de seus educandos. Por isso mesmo é que
precisamos não ficar somente na denúncia,
mas anunciar caminhos que a educação
pode tomar através de práticas emancipatórias,
resgatando sonhos e utopias numa celebração
da vida.
Frente a isso vemos a urgência de uma proposta
baseada na vida, capaz de contribuir sobremaneira
com a educação e, especialmente,
com a formação do educador. Nossa
proposta é a Educação Biocêntrica
que se baseia no Princípio Biocêntrico,
desenvolvido pelo cientista chileno Rolando Toro
Araneda e muitos educadores espalhados pelo mundo
e particularmente no Ceará. Nesse Estado
Brasileiro não apenas as experiências
e reflexões teóricas vêm sendo
sistematizadas em livros e revistas científicas,
mas também ocorreu a experiência
pioneira de cursos no âmbito da Universidade:
já iniciamos a terceira turma de pós-graduação
lato sensu na Universidade Estadual do Ceará
e formamos uma pela Universidade Estadual Vale
do Acaraú. Isto significa que já
contamos com cerca de cento e cinqüenta educa-dores
com o título de especialista em Educação
Biocêntrica.
Toro, idealizador desse Princípio assim
o define:
O Princípio Biocêntrico coloca seu
interesse em um universo compreendido como um
sistema vivo. O reino da vida abrange muito mais
que os vegetais, os animais e o homem. Tudo o
que existe, dos neutrinos ao quasar, da pedra
ao pensamento mais sutil, faz parte deste sistema
vivo prodigioso. Segundo o Princípio Biocên-trico,
o universo existe porque existe a vida, e não
o contrário.
A vida não é a conseqüência
dos processos atômicos e químicos,
mas da estrutura guia da construção
do universo. As relações da transformação
matéria-energia são os estados de
integração da vida. A evolução
do universo é, na realidade, a evolução
da vida”.(2002:51)
O Princípio Biocêntrico, como se
pode perceber, é um novo paradigma no qual
toda atividade humana está em função
da vida; segue um modelo interativo, de rede,
de encontro e de conectividade; situa o respeito
à vida como centro e ponto de partida de
todas as disciplinas e comportamentos humanos,
e restabelece a noção de sacralização
da vida.
O ponto de partida para a mudança das relações
culturais, estéticas, sensíveis
e biográficas do ser são as interações,
a sensibilidade como movimento em conexão
com outras realidades. De acordo com a Física
Quântica, nós criamos o mundo que
observamos. Já a visão biocêntrica
afirma:
Hoje podemos dizer que a noção
de vida como algo de dimensão planetária
ou cósmica está presente na ciência,
nas experiências místicas e na vida
comum de qualquer pessoa sensível. Investigar
e vivenciar essa presença da vida como
estrutura guia é o grande desafio que,
inevitavelmente, nos deslocará para novos
paradigmas da existência, a uma visão
Biocêntrica, a qual ultrapassa o panorama
holista (a tendência do todo manifestar-se
na diversidade, e esta, por conseguinte revelar
sua potencialidade ao todo) e se manifestar em
um sentimento sagrado da vida e do Universo, de
todas as coisas existentes, sentimento este que
tem como origem a vivência Biocêntrica.”
(Góis, 1995:)
O Princípio Biocêntrico considera
as interações, as conexões
de todo o sistema vivente. Propõe avançar
além do enfoque antropocêntrico tão
reforçado na formação do
nosso modo de pensar, sentir e agir, nos tornando
muitas vezes seres dicotomizados, com o pensamento
fragmentado. O caminho apontado na visão
biocêntrica tem como ponto de partida o
universo organizado em função do
todo, em relação e em função
da vida como convivência e coexistência
do divino. Não apenas da vida dos animais,
das plantas e do ser humano, mas de tudo o que
existe. A visão biocêntrica nos aponta
um estilo de sentir, de pensar e de agir inspirado
nos sistemas viventes e possibilita uma reaprendizagem
das funções originais da vida. O
ser humano, nessa visão, é um ser
relacional, cósmico que tem uma qualidade
transcendente.
Leonardo Boff, em seu livro “A Ética
da Vida”, segue essa mesma linha de reflexão
quando afirma:
Hoje, em face da crise ecológica mundial,
a grande pergunta é: como viver? Como nos
relacionar com a Terra para preservá-la,
não ameaçá-la para garantir
a nossa própria vida e existência
de todos os demais seres que vivem na Terra? A
resposta só pode ser: ”viva de tal
maneira que não destruas as condições
de vida dos que vivem no presente e as dos que
vão viver no futuro. Ou positivamente:
viva no respeito e na solidariedade para com todos
os companheiros de vida e de aventura terrena,
humanos e não humanos, e cuide para que
todos possam continuar a existir e a viver, já
que todo o universo se fez cúmplice para
que eles existissem e chegassem até o presente.
(199: 41)
Quando trazemos a vida para o centro, tornando-a
o foco de nossas atenções, como
ocorre na visão biocêntrica, voltamo-nos
naturalmente também para as questões
existenciais. E aí passamos a buscar a
concretização de um novo projeto
educacional, com uma proposta pedagógica
que reconheça a educação
como sistema aberto e o educando como um ser humano
em sua multidimensi-onalidade, considerando sua
dimensão física, biológica,
mental, psicológica, espiritual, cultural
e social, buscando integrar-se consigo e com o
meio ambiente. Uma educação que
venha a estimular o educador a desenvolver um
pensamento flexível, criativo e com capacidade
inovadora, considerando a afetividade, a criatividade
e a intuição como indicadores significativos
do desenvolvimento humano.
Para alcançar esse desenvolvimento, precisamos
mergulhar na vivência. Sobre esse novo pensar,
essas novas mudanças paradigmáticas,
nos aporta Cezar Wagner:
Estamos diante da complexidade (Ruelle, 1993)
a qual exige novas maneiras de perceber, uma nova
postura e novos parâmetros (Morin, 1990).
Assim criando as condições para
a ciência do complexo, uma ciência
que não se baseia na física nem
nas partes apenas, com queria Descartes, mas sim
na vida, por isso se propõe como ”Ciência
da vida” (Capra, 1997). Esta requer uma
profunda reforma do pensar, uma verdadeira revolução
das estruturas do pensamento e dos valores, no
sentido de um pensamento que descobre o observador
como parte da realidade estudada, isto é,
sujeito e objeto integrados em um só processo,
que é linear e não-linear, em equilíbrio,
dissipativo e biocêntrico, e que, sobretudo,
está em consonância com a beleza
e o mistério da vida. (2001:17)
No pensar antropocêntrico, o significado
do Universo é dado a partir do referencial
humano. No pensar biocêntrico, a consciência,
a totalidade que é tudo que é vivo
penetra no espaço-tempo e manifesta-se
em um número indefinido de maneiras e percepções.
Tudo existe como probabilidade. No momento em
que eu vivencio, a realidade começa a acontecer,
é a minha realidade. A pergunta é:
quais são as probabilidades com que eu
estou me conectando para construir minha realidade?
O sentimento de plenitude física, mental
e espiritual é o estado de equilíbrio
dinâmico consigo mesmo, com os outros e
com o universo que se adapta a cada momento que
surge: a existência se constrói no
presente.
A educadora Maria Cândida Moraes, no seu
livro “Paradigma emergente da Educação”,
segue o mesmo caminho considerando que o educador
já não precisa ter certeza das coisas,
pode aceitar a indeterminação porque
compreende a complexidade não apenas do
ato educacional, mas de tudo da vida
A base epistemológica da Educação
Biocêntrica se encon-tra no Princípio
Biocêntrico que gerou o conceito de vivência
de Toro, mas também leva em consideração
os estudos de Vygotsky sobre a construção
do sujeito da realidade como processo histórico-
cultural, uma relação sócio-interacionista,
como na construção do conhecimento
crítico a partir do diálogo amoroso
que fundamenta o pensamento de Paulo Freire. Caminhamos
no sentido da construção do ser
cognoscitivo-afetivo-condutual em um mundo histórico-cultural.
Por isso adotamos o que já é prática
na Educação Holística: a
visão transdisciplinar. A transdisciplina-ridade
foi mencionada pela primeira vez por Piaget como
uma dimensão interna da forma como o pensamento
se expressa no mundo e nas pessoas tendo como
referência não apenas o intelecto,
mas passando pela percepção e sensação.
Uma maneira de ver, sentir, estudar e construir
ciências.
Estar ao mesmo tempo entre as disciplinas, através
das diferentes disciplinas e principal-mente além
de qualquer disciplina. É o fim do pensamento
que dividia as ciências (humanas, exatas,
biológicas, e da informação)
entre a objetividade e a subjetividade. É
uma postura, uma atitude do humano perante o conhecimento,
o pensamento e o mundo. Abarca diversos âmbitos
da aprendizagem e do desenvolvimento humano e
social tanto na educação formal,
nos seus diversos níveis de escolaridade,
quanto na educação informal, nas
organizações, comunidades e movimentos
sociais.
A transdisciplinaridade, por não ser uma
matéria nem um método, faz um casamento
perfeito com a Educação Biocêntrica,
que tem como objetivo primordial desenvolver a
Inteligência Afetiva que levará a
pessoa a uma nova consciência com profundas
conseqüências éticas que só
se fazem possíveis com o fortale-cimento
da identidade.
A identidade é esse conjunto de características
psicobio-lógicas que faz da pessoa uma
criatura única, diferenciada e inconfundível.
Ela está em cada célula como um
selo que identifica cada pessoa. Rolando Toro
(1991) faz algumas considerações
sobre a identidade, das quais destaco alguns tópicos:
a) A identidade de um indivíduo só
se revela plena-mente na presença do outro;
b) A relação amorosa fortalece a
identidade, ao mesmo tempo que a torna vulnerável
devido ao contato e aos processos de fusão;
c) A dança ativa o núcleo central
da identidade: a comovedora vivência de
estar vivo;
d) Sendo o movimento uma expressão profunda
da identidade, a dança pode ser o instrumento
apropriado para produzir modificações
terapêuticas;
e) A identidade é permeável aos
agentes externos e em especial à música.
Aprofundaremos, ao longo desta reflexão,
estes elementos que fortalecem a identidade.
A aprendizagem, nesta abordagem pedagógica,
se dá através do conhecimento (epistemologia)
e da vivência (ontologia). De que vivência
estamos falando? Toro assim a define:
O primeiro a investigar o sentido de “vivência”
foi o filosofo historicista alemão Wilhelm
Dilthey; ele propôs o conceito expresso
no termo alemão “Erlebnis”,
e o define como “algo revelado no complexo
psíquico dado na experiência interna
de um modo de existir a realidade para um individuo”.
A concepção de W. Dilthey influiu
na fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty, na
ontologia de Martin Heidegger e na sociologia
de Max Weber.
Na teoria da Biodança, redefini o conceito
de “vivência” como a experiência
vivida com grande intensidade por um individuo
no momento presente, que envolve a cenestesia,
as funções viscerais e emocionais
(2002: 29/30)
Deste modo, o conceito de vivência proposto
por Rolando Toro e empregado inicialmente na Biodança
e, mais recentemente, na Educação
Biocêntrica significa a própria vida
reduzida às suas proporções
mais diminutas e, ao mesmo tempo, mais fidedignamente
representativas do modelo em tamanho original.
É a totalidade da relação
com a realidade, símbolo verdadeiro da
experiência plena e não mutilada
da realidade igualmente plena e total.
As vivências não são controladas
pela consciência nem dirigidas pela vontade,
embora possam ser evocadas e terminam chegando
à consciência. Expressam-se dependendo
da identidade de cada um, portanto, são
diferentes para cada um. A intensidade será
de acordo com a sensibilidade da pessoa e o tipo
de vivência experimentada. Têm uma
dimensão cenestésica envolvendo
todo o organismo em sensações de
prazer, tristeza, alegria ou solidarie-dade. Por
isso é tão importante favorecer
vivências integradoras porque elas, biológica
e existencialmente, têm um poder organizador.
A vivência é a metodologia básica
da Educação Biocên-trica aplicada
no sentido de gerar novas condições
de aprendi-zagem. Aprender não apenas pelo
cognitivo, mas aprender a conec-tar-se com nossas
emoções e sentimentos, saber ouvir
a nossa intuição, saber ouvir o
outro através da “escuta ativa”,
poder captar na fala do outro toda a sua existência.
Essas são posturas essenciais na relação
humana. Aprender a sentir para, mais facilmente,
aprender a pensar. Nietzsche (Zaratustra) vai
mais além quando afirma: “para aprender
a pensar é preciso aprender a dançar”.
Tirar o foco da valorização dos
aspectos externos das experiências e considerar
as vivências internas das pessoas na perspectiva
de uma visão biocêntrica. O instante
em que se está vivendo não se acu-mula
– é aqui e agora – mesmo que
esteja relacionado com o passado. É diferente
da experiência; esta sim, se acumula.
Esse processo metodológico visa estimular
uma reflexão consciente e portanto crítica
da realidade; estimula o potencial criativo e
toca principalmente o núcleo afetivo das
pessoas. Aí acontece o desenvolvimento
da Inteligência Afetiva contribuindo para
a formação de educadores críticos,
criativos, solidários, afeti-vos, éticos
e envolvidos com o processo de transformação
pessoal e social no sentido da preservação
e desenvolvimento de todas as manifestações
de vida. Acreditamos ser esta proposta necessária
como metodologia para a nossa visão prática
transformadora, compreendendo o ser humano numa
integração do corpo, emo-ções/sentimentos,
mente e espírito.
A base da nossa metodologia, portanto, é
a vivência que tem uma função
mediadora, para a aprendizagem. É diferente,
como já afirmamos, da experiência,
que maneja um objeto de es-tudo ou de aprendizagem.
A experiência é cumulativa, nela
pode acontecer a vivência ou não.
A vivência não tem a função
de conhecimento, não se propõe como
um lugar de conhecimento. Ela tem um sentido em
si mesma, traz a possibilidade de formar uma nova
atitude frente ao aprender. Favorece a formação
de valores para aprender, mas não é
o aprender propriamente e sim a expressão
e impressão de alta sensibilidade, é
um instante em que a pessoa se expressa e o processo
nela se imprime.
A vivência prpicia a formação
de vínculos intensos, consigo mesmo, com
o outro e com a totalidade que geram a base para
o desenvolvimento da Inteligência Afetiva.
Esses vínculos têm muita importância
na construção do conhecimento, porque
mexem também com as estruturas cognitivas
e aumentam a capacidade de se ouvir e ouvir o
outro e a realidade. Resignifica e revaloriza
o aprendizado, desenvolvendo novas posturas de
aprender através das emoções
e sentimentos. Amplia o processo pedagógico
para um processo de vida. Nós ouvimos,
com muita freqüência, depoi-mentos
de participantes dos nossos cursos falando das
transfor-mações existenciais ocorridas
a partir deles. Isso comprova que há uma
resignificação da aprendizagem para
transformar-se a si mesmo e ao mundo e não
para estabelecer mecanismos de controle.
É um encontro com a realidade interior
de cada um e proporciona uma reeducação
afetiva que leva a uma conduta de inteireza. Precisamos,
no entanto, de espaço adequado para as
atividades serem vivenciadas. Significa dizer
que precisamos criar condições para
o educador vivificar conceitos e transformá-los
cheios de significado para sua própria
vida. Que vai desde a reflexão sobre sua
vocação de ser mestre até
um simples texto da literatura que ele oferece
para reflexão de seus alunos. Sobre isso
Paulo Freire nos relembra:
Qualquer tipo de educação que
seja coerentemente progressista precisa discutir
não apenas o texto mas a própria
vida. A própria existência do “não
ainda significa que o texto nunca pode ser visto
como algo que está paralisado. A compreensão
da vida, como algo que é paralisado é
uma compreensão necrófila. Uma compreensão
amorosa da vida é aquela que percebe a
vida como um processo acontecendo e não
algo que é determinado “a priori”.
O texto não apenas fala de coisas da vida,
mas tem ele próprio uma vida. Assim, minha
posição diante do texto é
a posição amorosa de alguém
que recria tais textos recriando assim a vida
neles. Poder-se-ia quase descrever muito da educação
contemporânea como o oposto: de ter uma
compreensão necrófila na qual o
texto está imobilizado e morto. (2001 :
74)
Como acontece a vivência? Um dos componentes
defla-gradores de vivência é a música.
Além do encontro humano acima referido,
a música é um elemento base da Educação
Biocêntrica e via de acesso à identidade.
Ela é uma tentativa do ser humano que tem
profunda afinidade com o som de interpretar a
harmonia do Universo.
A música, assim como a poesia, a dança
e a pintura representam, para a Educação
Biocêntrica, possibilidades de sus-citar
vivências sumamente complexas e sutis, de
grande inten-sidade e com efeitos transformadores
na nossa existência. Para Rolando Toro,
a consciência de ser parte integrante de
um universo musical aparece já na origem
da história humana, nas lendas antigas
e nos mitos arcaicos. Vem, portanto, de tempos
muito antigos a percepção do ser
humano de que o Universo era regido por pautas
rítmicas, por acontecimentos que se repetem
ciclica-mente, por fenômenos de pulsação
e vibração, com tudo se orde-nando
dentro de um plano harmonioso, tal qual uma sinfonia
cósmica. Basta olhar atentamente para a
natureza para perceber que tudo é ritmo,
assim como no nosso corpo: os batimentos cardíacos,
a respiração, a circulação
sanguínea e o pensamento constituindo um
harmonioso e complexo sistema interno.
Precisamos despertar em nós mesmos a musicalidade
corporal para que nossas ações se
tornem mais fluidas. Tomando como base os elementos
da música: ritmo, melodia e harmonia, sabemos
que o ritmo nos une ao Universo, a tudo que é
origem; a melodia elabora nossa comunidade amorosa
e a harmonia nos presenteia a intimidade e a transcendência.
Assim, para os educadores biocêntricos,
a música é uma linguagem que vai
direto ao coração sem precisar passar
pela análise da consciência, embora
a percepção musical seja uma experiência
de totalidade. Ela é percebida com o cognitivo,
com a sensibilidade e intensidade das emoções,
com os instintos, com todos os nossos órgãos.
A música é uma forma de energia
capaz de estimular e despertar potenciais biológicos
e emocionais bem como de induzir certos estados
que despertam emoções e sentimentos
escondidos. Existe uma unidade perfeita entre
música e expressão, já percebida
desde a antiguidade.
Na Educação Biocêntrica, usamos
a música como base para as atividades,
o que não significa “um fundo musical”
apenas para tornar a atividade mais agradável,
mas sim um instrumento que é parte e está
profundamente vinculado a ela.
Consideramos a música como um poder orgânico
que vitaliza as células, e usamos músicas
selecionadas com base na semântica musical,
com critérios de eficácia experimentados
para produzir vivências intensas. As músicas
são selecionadas para cada exercício
através de um processo sensível
e cuidadoso. Esses exercícios já
vêm sendo utilizados na Biodança
há quase 40 anos e são estruturados
em uma estreita integração entre
música, movimento e emoção.
Há músicas que fortalecem elementos
de força e vigor, são capazes de
ativar, elevar os níveis de atenção,
euforizar e energizar as relações
com o meio ligadas à energia Yang, enquanto
outras desarmam, induzem tranqüilidade, sono,
harmonia íntima, possibilitando a entrega
própria da energia Yin. Rolando Toro sugere,
para a seleção das músicas,
critérios a serem observados, dos quais
destacamos alguns:
1. Descrição do conteúdo
emocional da música: definir se o tema
é alegre, triste, nostálgico, euforizante,
intenso, etc;
2. Observar a força indutora da música
para mobilizar vivências. (A música
tem que ter poder deflagrador de emoções
/sentimentos);
3. Diferenciar músicas orgânicas
de inorgânicas, ou seja, se a música
determina movimentos integrados ou dissociados;
4. Observar se a música tem um conteúdo
emocional definido. É importante que o
tema se mantenha estável e que não
haja divagação emocional;
5. Observar se a música se ajusta ao exercício
e à vivência que se quer induzir.
A gestalt música – vivência
– movimento deve ser perfeita;
6. Atentar para que o texto da canção
não seja contraditório à
vivência que se quer induzir;
7. Cuidar para que a passagem de temas suaves
a temas ligeiros não seja brusca.
8. Melhorar sempre a escolha musical sem perder
de vista a sua força indutora;
Quando a música toca a emoção/sentimento,
o movimento se torna inevitável e surge
a dança. Como expressão de vida,
como celebração, como conquista,
como entrega, como encontro, como cura, como diálogo
com o Divino numa forma de ingressar numa cosmovisão.
Dança
Deus infundiu o ritmo nos homens,
Nos animais, nas plantas e até nas pedras.
O homem que se move,
O pássaro que voa,
A folha que cai na terra...
Tudo parece convidar para a dança.
No núcleo do átomo como na dança
das estrelas,
O nosso Criador e Pai semeou ritmo e harmonia.
Escutar música, ver uma dança, é
oração verdadeira
Dom Hélder Câmara
Todos os povos dançam. Por que
os povos dançam? A dança pode ser
uma expressão pessoal ou coletiva
As pessoas são concretudes e se expressam
através da sua ação no mundo,
da corporeidade vivida. O corpo como visibilidade
do ser. O ser se fazendo no mundo. Por isso usamos
também como recurso metodológico
desenvolver o prazer cinestésico através
de exercícios de harmonia e fluidez, que
chamamos poeticamente de dança. Ativar
a expressão afetiva e criativa, através
da dança bem como do canto, do desenho
e da pintura, restaurando assim os potenciais
de vida do educador e do educando e reiniciando
uma civilização de vida.
A dança, na nossa concepção,
é tudo que pulsa, se move, desde o nosso
ritmo biológico, o ritmo do coração,
da respiração, ao impulso de vinculação
com a espécie, aos movimentos de inti-midade.
Uma dança orgânica, um movimento
profundo que surge das entranhas do ser, é
um movimento vivencial, é uma neces-sidade
natural do ser humano. Portanto, precisamos desenvolver
a coordenação rítmica, a
fluidez, exercícios de vitalização
através de gestos arquetípicos estimulados
por músicas que despertem impul-sos de
conexão afetiva. A dança nesse contexto
é um movimento existencial expressivo e
não se limita à dimensão
estética. Trata-se de um refazer existencial
que vem da vivência e da afetividade, substituindo
a exigência de rendimento, competição
e destreza muitas vezes exigidos nos exercícios
mecânicos e sem motivação
interna das aulas de educação física,
aeróbica e tantas outras práticas
de esportes de puro treinamento motor. Não
é uma teoria da subjetividade mas uma corporeidade
vivida. De acordo com Wallon, além do seu
papel na relação com o mundo físico,
o movimento tem um papel fundamental na afetividade
e também na cognição. Ele
dá ênfase à motricidade expressiva,
isto é, à dimensão afetiva
do movimento. A primeira função
do movimento no desenvolvimento infantil é
afetivo. (La Taille: 1992)
Como a dança significa um movimento de
expressão hu-mana, uma manifestação
de identidade, ela representa um poderoso instrumento
de reeducação tanto do educando
quanto do educador. Na vivência do prazer
existencial, a educação deve propiciar
a se aprender a ter confiança em si mesmo,
aprender a amar, aprender a percepção
da sacralidade da vida.
Dançar é um modo de existir. Não
apenas vago, mas cele-bração, participação
e não espetáculo, a dança
está presa à magia e à religião,
ao trabalho e à festa, ao amor e à
morte. Os homens dançaram todos os momentos
solenes da sua existência: a guerra e a
paz, o casamento e os funerais, a semeadura e
a colheita. (Roger Garaudy 1980)
Tendência pedagógica evolucionária
O grande mestre, o único mestre é
a vida. Esse grande mestre, por misericórdia
por nós, pode colocar no nosso caminho
um mestre encarnado. Se esse mestre encarnado
for um verdadeiro mestre, vai fazer de nós
não um outro discípulo, mas fazer-nos
descobrir o nosso próprio mestre interior.
Jean-Yves Leloup
Cada tendência pedagógica é
marcada pelas características do contexto
sócio-histórico em que foi formulada
e pelos diversos paradigmas e pressupostos filosóficos,
metodológicos e epistemo-lógicos
nos quais ela está inserida. A Educação
Biocêntrica formula alternativas no plano
pedagógico condizentes com o mo-mento histórico
que vive hoje a humanidade. Pensamos no planeta
e no destino da humanidade. Fiéis às
exigências do mundo contem-porâneo
e a partir de estudos das tendências pedagógicas
brasilei-ras (Liberal e Progressista) nós,
educadores do Ceará, que já estamos
aplicando a Educação Biocêntrica
desde os meados da década de oitenta, agrupamos
quatro abordagens pedagógicas (Educação
Dialógica, Educação Holística,
Construtivismo e Edu-cação Biocêntrica)
dentro do que chamamos Tendência Pedagógica
Evolucionária. Elas têm em comum
um compromisso com a vida, buscam uma reeducação
afetiva e, particularmente a Educação
Biocêntrica, cultiva as energias conservadoras
da vida, que são os instintos.
Como afirma Cezar Wagner, a Educação
Biocêntrica é uma proposta pedagógica
que busca, através do diálogo (Freire,
Rogers) do movimento-dança e da Vivência
Biocêntrica (Toro), facilitar um processo
educativo voltado para uma vida mais saudável,
assim como para a construção do
conhecimento crítico e integrado com a
realidade. Incorpora dimensões éticas
e dialógicas, em uma visão na qual
a pessoa é considerada com um ser inteiro,
que pensa, sente, fala e age em cooperação
com os outros. Como a Educação Dialógica,
ela parte da ação e do diálogo;
como a Edu-cação Holística
que busca a paz, a consciência cósmica
e ecoló-gica, a vivência de plenitude
para todos os homens e mulheres, ela parte do
enfoque holístico, de uma visão
do ser humano como um todo integrado assim como
de uma visão construtivista, tendo por
base dois grandes estudiosos do psiquismo humano:
Vygotsky e Piaget. Sua metodologia é totalizadora
e integradora, não fragmen-tando ou dicotomizando
o sujeito e o objeto, o corpo e a mente. É
uma visão na qual tudo se unifica na compreensão
da realidade. Vai mais além da interdisciplinaridade,
que apenas junta elementos vários para
compreender o todo. Assim, como afirmamos anterior-mente,
através da transdisciplinaridade ela se
movimenta fora do espaço e do tempo.
A Educação Biocêntrica, como
uma das integrantes dessa tendência, se
destaca quando prioriza o deflagrar da inteligência
afetiva partindo da vivência para a consciência.
Sem a consciência enraizada no mundo pré-reflexivo,
o que temos é uma vida instintiva voltada
somente para o prazer pessoal e uma consciência
rígida ou alienada acerca da vida, da sociedade
e das pessoas. A inteligência afetiva clama
pelo encontro entre aqueles e aquelas que, juntos,
buscam não apenas o autoconhecer-se, mas
também conhecer e mudar a realidade. Como
tudo está interligado a integração
dessas quatro tendências (Educação
Dialógica, Educa-ção Holística,
Construtivismo e Educação Biocêntrica)
pode constituir-se numa força poderosa
de mudança social, formando um todo harmonioso.
A Educação Biocêntrica, em
especial,através de seu método reflexivo-vivencial,
envolve um pensamento mais complexo que abarca
os aspectos sociais, históricos e ecológicos
além dos cerebrais, dando início
a um grandioso movimento evolutivo.
Essa proposta pedagógica nos dá
poderosas ferramentas afetivas, cognoscitivas
e sociais. Desse modo, os fatos sócio-históricos
enquanto perspectiva de transformação
ou de alienação, como em Freire
e Vygotsky e a Vivência em Toro, podem ser
vistos de modo integrado. É uma concepção
de Educação baseada na vida, na
cultura e na sociabilidade, sem perder seu caráter
próprio de Educação que objetiva
o ensino-aprendizagem. Temos, portanto, a base
epistemológica da Educação
Biocêntica nestes três autores que
formam os pilares desta abordagem educacional
tendo como raiz a vida instintiva e a vivência
levando à construção do conhe-cimento
crítico, do desenvolvimento humano e da
mudança social numa relação
de integração do processo cognoscitivo-afetivo
e do papel dos sentimentos no processo da consciência
e da conscien-tização. São
eles o eixo pra trabalharmos os conceitos, o método
e as técnicas da Educação
Biocêntrica.
O enfoque principal não é a inteligência,
mas sim a articulação entre ela,
o organismo como um todo, o corpo, o desejo e
o prazer em relação amorosa com
o outro integrado à totalidade. É
o educando como sujeito do processo educativo,
não havendo dicotomia entre o aspecto cognitivo
e o afetivo, mas uma relação dinâmica,
prazerosa dirigida para o ato de conhecer-se,
conhecer o outro e conhecer o universo, na qual
o saber entra pelos sentidos e não apenas
pelo intelecto; porém uma relação
na qual o educador é, acima de tudo, um
artista, um político, um cuidador sem neutralid,
porém a favor da vida dentro de uma visão
do todo social. Ele sabe que aprender faz parte
do ato de libertar-se, e que a aprendizagem depende
da criatividade, onde quer que estejamos, seja
Escola, na empresa, na comunidade, ou nas ações
de inclusão social.
Ao falar de Educação Biocêntrica,
meu sentimento é o de quem está
apresentando aos Educadores sonhos muito antigos
de todos nós da área educacional,
mas com a imensa alegria de poder recuperar a
essência da educação que eleva
à plenitude humana, e permite que cada
pesoa tenha autonomia de construir sua própria
vida em conexão com todo o sistema vivente.
Na Educação Biocêntrica o
respeito e a sacralização da vida
são o centro e o ponto de partida de todas
as disciplinas. Nossa matéria de estudo
e de ação pedagógica é
a própria vida. Para nós, não
há possibilidade nenhuma de aprendizagem
e evolução se trairmos as forças
que conservam e nutrem a vida. Não apenas
a linguagem, o conhecimento e a informação
fazem mediação para a aprendizagem,
mas sobretudo as emoções e os sentimentos
que se desenvolvem no processo ensino-aprendiza-gem.
Quanto mais prazerosas forem as situações,
mais se fortale-cem os processos de aprendizagem,
e mais abandonamos a cultura do castigo, do erro,
da culpa, do medo e da tristeza. O que se pretende
na Educação Biocêntrica é
que, através da expressão da sua
identidade, de ser o que é, cada pessoa
possa gerar novas for-mas de civilização
na busca de realização, de prazer
e de felicidade.
Entendemos que a aprendizagem não se dá
apenas pelo cognitivo, mas também pela
percepção, pelo sensorial, pela
intuição, enfim, pela vivência;
que a consciência se incorpora ao âmbito
da emocionalidade e o mundo vivo do educando passa
a ser o que move a aprendizagem. O que podemos
concluir é que o núcleo afetivo
da existência está intrinsecamente
vinculado à essência da nossa Identidade
e a estrutura da nossa existência tem suas
bases na resposta a três grandes enigmas:
ONDE QUERO VIVER, COM QUEM QUERO VIVER E O QUE
QUERO FA-ZER, que Toro chamou de Projeto Existencial.
Transpondo para a educação, sugiro
três profundas interrogações:
ONDE QUERO APRENDER, COM QUEM QUERO APRENDER E
O QUE QUERO APRENDER. Os três compo-nentes
afetivos do núcleo existencial estão
profundamente ligados e são a força
que impulsiona não apenas a nossa existência
mas também as três perguntas da aprendizagem.
A pessoa que está saudável escuta
suas emoções e sentimentos, sabe
o que quer, quai são suas reais necessidades,
e reconhece seu caminho.
A Educação Biocêntrica, como
já afirmamos, estabelece um modo de sentir,
de pensar e de agir, tendo como referência
existencial a vivência e a compreensão
dos sistemas viventes que estão organizados
em função da vida. Tudo o que existe
no Universo é expressão de vida,
é expressão do Cosmo. Rolando Toro,
ao formular esse paradigma, tenta responder à
pergunta fun-damental sobre o nosso estilo de
viver, por isso considerou a vida como referencial
absoluto, inspirando-se nas leis universais que
conservam os sistemas viventes e tornam possível
a evolução. Seu pensamento foi assim
sintetizado:
A estratégia de transformação
existencial muda, partindo do Princípio
Biocêntrico. Os parâmetros de nosso
estilo de vida são os parâmetros
de vida cósmica. Em outras palavras, nossos
movimentos, nossa dança se organizam como
expressões de vida... Tudo o que existe
no universo, elementos, estrelas, plantas, animais
e seres humanos, são componentes de um
sistema vivente maior. (Toro: 1992)
A Educação Biocêntrica, portanto,
atende a uma neces-sidade natural da vida e por
isso transcende a cultura e a relação
ser-humano; rege-se pela dança cósmica
e considera a mulher e o homem como seres em movimento,
em constante pulsação com todo o
Universo. Cada um deve ser capaz de mover-se por
conta própria, de perceber a si mesmo e
à realidade, sendo ele próprio a
referência de sua percepção,
da sua relação, da sua ação.
No ser humano nada é definitivo, tudo está
permanentemente em um-dança, embora conservando
o núcleo da sua identidade que é
singular e única para cada um.
Através de recursos didáticos específicos,
a Educação Biocêntrica favorece
a expressão dos nossos próprios
potenciais, expressão originária
do que há de mais íntimo em nós
mesmos, na essência do sentir-se vivo.Da
vivência do ser inteiro, na qual as pessoas
sentem, amam e se tocam livres dos medos e dos
tabus, surge a capacidade de compartilhar, de
dar e receber, de se entre-gar, de ter participação
comunitária com compromisso e solidarie-dade.
Como sujeitos da nossa realidade podemos reinventá-la
através da poesia, da dança, da
carícia, da ação política.
No entanto, não basta mudar dentro de si,
a mudança deverá dar-se também
socialmente, na unidade dialética entre
a dança e a política. Para uma formação
plena como educador é preciso disposição
para sair do pensamento puramente antropocên-trico
e assumir também o Princípio Biocêntrico
que interfere profundamente no modo de pensar,
sentir e agir, aprofundando os vínculos
com as pessoas e com o meio cósmico. Acreditamos
na força da prática de uma educação
para a liberdade e felicidade das pessoas, para
a justiça social entre os seres humanos,
para a busca de viver em paz, para a comunicação
entre as pessoas mediada pelo diálogo amoroso.
Acreditamos nessa Pedagogia do Encontro. Que-remos
nos preparar cada vez mais para dialogar com os
que pen-sam e fazem educação; queremos
que nossa linguagem amorosa seja compreendida
por todos os educadores, que, como nós,
bus-cam contribuir para influir mais decisiva
e rapidamente na mudan-ça dos paradigmas
da pedagogia contemporânea.
A Educação Biocêntrica é
a educação e reeducação
do viver, uma reeducação afetiva
e uma elevação do nível da
cons-ciência. Tudo isso pressupõe
uma permanente auto-educação, autocuidado
e compromisso evolutivo do educador. A metodologia
vivencial aqui proposta favorece o contato com
o ritmo de crescimento de cada educando, a sincronização
com o outro e a sintonia com o Universo. Nas salas
de aula, assim como nas organizações,
nas comunidades e nos movimentos sociais de um
modo geral, a prática pedagógica
da Educação Biocêntrica tem
como base do ensino-aprendizagem as vivências
e as reflexões integradoras: a vivência-diálogo
é o que tem sido nossa prátcar com
os educadores com os quais convivemos nos cursos,
no nosso cotidiano, nos eventuais encontros.
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das Palavras Geradoras de Vida (monografia) Fortaleza,
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12. LA TAILLE, Yves – Piaget, Vygotsky,
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16. TORO, Rolando. Teoria da Biodança –
Coletânea de Textos. Organização
Cezar Wagner de Lima Góis, Fortaleza: ALAB,
1991.
17. TORO, Rolando – Biodanza. 2ª Ed.
São Paulo: Olavo Braz, 2005.
Ruth Cavalcante
Psicopedagoga, graduada na Escola de Pedagogia
Social de Colônia – Alemanha.
Pós-graduação em Educação
Biocêntrica e em Psicologia Transpessoal
Professora dos cursos de pós-graduação
em Relações Humanas e Dinâmicas
Grupais, e Educação Biocêntrica
na Universidade Estadual Vale do Acaraú
e na Universidade Estadual do Ceará
Consultora em Método de Processo em Empresas,
Escolas, Organizações e Comunidades
Facilitadora didata em Biodança, formada
pelo criador do sistema Biodança, Rolando
Toro.
Formação em Educação
Inclusiva, Educação de Adultos,
Gestalt Terapia, Dinâmica de grupo, Técnicas
de renascimento e relaxamento.
Agraciada com a Medalha Paulo Freire em 2001 outorgada
pela Câmara Municipal de Fortaleza que,
elege anualmente educadores que deram significativa
contribuição à Educação
do Município.
Diretora Pedagógica do CDH – Centro
de Desenvolvimento Humano, desde 1981.
Professora da Escola Pública do Município
de Fortaleza, desde 1981.
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