EXPRESSÃO DA IDENTIDADE EM FORMA DE POESIA
Geny Aparecida Cantos
A identidade se expressa nas 5 linhas de vivências
(vitalidade, sexualidade, criatividade, afetividade
e transcendên-cia), que são os canais
por onde se circulam a programação
herdada em suas expressões vitais. A identidade
se forma no momento da concepção
(biológico) e também das relações
com as pessoas (social), sendo um processo continuo
de transformação .
O jeito de fazer de cada um é a expressão
dessa identidade. Tem a ver com o cheiro, com
a voz , com o corpo, com a mente e com a maneira
como se sente a vida. A expressão espontânea
desse conjunto de qualidades essenciais permite
que o gesto se traduza em emoção,
promovendo modificações integrativas,
movimentos que brotam do coração.
E o gesto expressivo se materializa na poética,
em um movimento pulsante entre o físico
e o psíquico em um poema sem especulação
lógica, mas com uma imagem singular e inesgotável
de estimulação do seu fazer artístico.
E a composição dos versos se articula
de gestos e afetos, em uma alucinação
artística, ligados um ao outro por um canal
perceptivo, coberto de imaginação
criativa, em uma subida sensação
de entendimento, de que a arte se dá em
um duplo movimento, entre o eu e o outro e juntos
formam uma terceira identidade.
Mas quem sou eu?
Eu sou quem? Eu sou o que?
A princípio não sei
Mas aos poucos descubro e me dou conta de que
não sou uma ilha isolada
Sou uma partilha do universo,
uma parte da terra
E sou a totalidade junto com todos.
Eu sou muitas possibilidades, com uma grande
credibilidade
Vivendo a dualidade para criar a realidade
Eu sou a eternidade divina, a luz da totalidade
A cada momento gerando vida, vivendo a vida, respirando
vida, sendo vida
Eu sou um ser apaixonado, realizado, muito amado,
estando sempre ao meu lado
Eu sou compaixão de mim mesma
Eu sou aceitação de meus vazios
Eu sou o universo transformando cores descobertas
O abraço da árvore no canto alegre
do vaga-lume em trânsito
Vislumbre presente para você
Queridos unidos para amar
quem for e vier
E quem é você?
Você é tudo, é lindo, é
eu, somos nós
Você é você e também
é puro, é tudo , é nada
É cada pedaço do universo
É total, é inteiro, é segmentado,
é também completo
Você é simplesmente você
É assim como todos
Faz parte do todo
Você é o sorriso eterno,
trans formando o oceano de mistérios nas
ondas embaladas pelas estrelas
Você é o latente pulsar do coração,
do mundo
A brincadeira esperada
A inocência em hino
A essência mais bonita
Você é espelho da minha própria
exuberância
Espelho de liberdade
Espelho da minha beleza
Você também é luminosidade
divina!
Divino farol...
Você é cristal de luz...
Que faz um arco-íris para mim e o universo
inteiro...
Única e exclusiva em sua expressão...
Doce e suave...
Flui em total entrega preenchendo com onda de
total beleza
Profundidade e prazer sua própria criação
Você é raio de luz para o
meu tocar e meu olhar
Um calor profundo chega ao meu coração
encontrando a tua alma com amor.
Você é terra, mãe, gaia,
ventre,criação, doçura, loucura,
luz, avó, gratidão
Você é fortaleza, ribeirinho, cascata,
passarinho, ninho, furacão
Um vaso mágico, um berço, um lampião
Você é voz, canto, sussurro, medo
e salvação
Você é porto seguro, é mar
, é dança, é lentidão
Você é um fio na teia da criação
Você é mulher, diva, é celebração.
Seria a consciência real a atração
instigante destes poemas? Ou seriam os ideais
de beleza concebidos de forma tão intensa
que anseiam pela imagem ideal? Será possível
perseguir estes ideais e recebê-los como
seus? Que suporte real dessa imagem sustentaria
a existência à nova possibilidade
de um evento concreto? Haveria homens e mulheres,
plenos de atitude, cujos gestos seriam o resultado
dessa tão maravilhosa interpretação?
Se o estímulo mobiliza o poeta a satisfazer
as demandas pulsantes que lhe deram origem, este
mesmo estímulo pode re-significar a imagem
do corpo e servir de alimento para construção
de um ideal possível, impresso numa imagem
eleita. Todavia, não seria mais a arte
em si, mas a possibilidade materializada e ampliada
nas dimensões do inconsciente e no reforço
das potencialidades de re-significação.
Se o corpo for capaz de operar neste nível
de percepção, muitas disfunções
físicas e psicológicas se reduzirão
à execução de novas ordens
e se produzirão imagens determinadas, plenas
de existência humana, alterando as relações
do corpo. Quanto mais cristalizada for esta expressão,
maior ressonância orgânica se processará.
E daí que vem o estímulo atraente
que mobiliza o poeta a compor, dando vozes a sua
arte, garantindo assim o potencial de re-significação
da imagem no corpo...
Referências bibliográficas
JUNG, C. G. O espírito na arte e na ciência.
Petrópolis, R.J.: Vozes, 1991.
SOARES, M. V. Técnica energética:
fundamentos corporais de expressão e movimento
criativo. Campinas, SP: Unicamp, 2000.
Toro R. Biodanza. Ed. Olavobrás, 1ed. São
Paulo, SP, 2002
Agradecimentos
Aos meus amigos e companheiros do Curso de Formação
Docente em BIODANZA? de Gravatal-SC , sistema
Rolando Toro, pelos versos criados durante uma
maratona de identidade, os quais serviram de suporte
para criação deste texto.
Aos facilitadores Gastón Andino e Silvia
Eick pelos ensinamentos e pela oportunidade de
materializar a poética desses verso na
expressão da identidade.
Correspondência
Prof (a). Dr(a) do Centro de Ciências da
Saúde da Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC, Universidade Federal de Santa
Catarina, Centro de Ciências da Saúde,
; Departamento de Análises Clínicas.
Florianópolis, SC. Cep:88.090.10. Fone
: 048-3331-9712, r221; Email;geny@ccs.ufsc.br |