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EDUCAÇÃO
BIOCENTRICA: UMA EXPERIÊNCIA...
Márcio Xavier Bonorino
Figueiredo
PRELUDIO: A RODA
E ele sorrindo tomou as mãos
de cada um e os encaminhou para o grande salão.
A luz de seu coração foi dividida
igualmente entre todos os que estavam ali presentes...Os
cegos, os leprosos, os loucos, as prostitutas,
os cientistas, os burgueses, os mendigos, os intelectuais,
os políticos, os homossexuais, as crianças,
os velhos, os solitários, os adolescentes,
os detentos, os operários, os poetas, os
deficientes, os impotentes, os onipotentes, os
desiludidos, os iludidos, os carcomidos, os remanescentes...
Gente de toda cara, de toda tara, de toda fé,
de toda beleza, de corpo e alma...
Ele falou sobre a salvação e do
encontro de um reino mais justo dentro de cada
um, pediu que todos se abraçassem, se tocassem
e tentassem caminharem juntos, dentro de seu próprio
ritmo e harmonia...
Que o milagre, de existir dentro do todo e totalmente
entregues aos mandatos do coração.
Com o passar dos tempos, eles unidos por uma roda
já podiam se olhar abertamente nos olhos,
seus corpos já possuíam o calor
do ninho a leveza e a liberdade resgatadas da
verdade de cada um, o brilho da essência...
E conseguiram sorrir a criança mais pura
e contemplar o animal que carregavam...
O tempo então parecia eterno e o espaço
aberto maior. E a roda foi aumentando, tanto que
só o salão da vida poderia comportar.
No primeiro ficaram enterrados os esqueletos de
infinitas e múltiplas máscaras.
E o mundo daí pode continuar em paz e ser
feliz. (Cecília Borelli)
Este texto registra os caminhos percorridos no
Curso – Educação Biocentrica:
Tecendo redes de integração afetivas
e criativas. A escrita esta organizada a partir
das observações, das falas dos participantes
expressas nas rodas de verbalização,
dos registros em um diário de campo articulado
a teóricos da área.
No primeiro momento expressa a compreensão
de educação, em ato continuo grafamos,
os sonhos que construímos para este curso,
no terceiro momento mostramos as expectativas,
as buscas dos participantes. Já em vivências
articulamos as percepções do processo
vivenciado com alguns teóricos. Em sacralização
da vida indicamos a compreensão e o significado
da biodanza para os envolvidos no processo. Já
em na construção de outros caminhos
pautamos as descobertas auferidas nos espaços
das aulas e finalmente e em Portos e Labirintos
realizamos síntese dos caminhos percorrido
e o que significou a temática para os participantes.
1 - OS CAMINHOS SE FAZEM
AO CAMINHAR
“E a roda foi aumentando, tanto que só
o salão da vida poderia comportar. No primeiro
ficaram enterrados os esqueletos de infinitas
e múltiplas máscaras. E o mundo
daí pode continuar em paz e ser feliz”
(Rolando Toro).
As vivências de Educação biocêntrica
- biodanza se iniciavam com a roda, a roda de
bom de boa, a roda de integração,
a roda de participação, a roda de
celebração. A roda. Em todo o mundo
e em todas as épocas, foi e será
o "local" do encontro, da festa, da
brincadeira, da comemoração. Desde
os povos primitivos, a roda é um símbolo
que representa o encontro para compartilhar a
vida.
Que prazeroso foi sentir o encontro das mãos
na roda e brincar, dançar o reencontro
dos elos perdidos! Como educadores podemos propiciar
encontros solidários e cooperativos com
aos educandos e as educandas em processo de formação.
A roda na biodanza demarcou durante várias
noites o espaço, o espaço do encontro,
o "útero afetivo", onde não
existia quem é mais nem quem é menos.
Resgatou o compromisso com o “dar as mãos".
Contar consigo e com o outro e com as outras...
Foi o espaço onde todos tiveram a possibilidade
de olhar... Olhar para si... Olhar o brilho dos
olhos, olhar as semelhanças e as diferenças...
Olhar os sonhos... O dito, e o vir a ser. Na roda
foi necessários estarmos de peitos e braços
abertos... Estarmos abertos para a vida que estava
próxima, nesse espaço.
E na roda fomos tecendo vínculos e desenvolvemos
um processo para o despertar dos participantes
para que se percebessem e possam, perceber as
crianças com as quais trabalham, tendo
a sensibilidade para cuidar a própria vida.
Em diferentes situações um gesto,
um movimento, um símbolo e, às vezes,
uma palavra foi suficiente para despertar as pessoas
naquela roda. Estas uma vez despertada se abriram
para se construírem e colaborarem com a
construção de um mundo justo e feliz.
Como educador na perspectiva biocentrica assumimos
o compromisso de facilitar o desenvolvimento dos
alunos e alunas criando condições
para “serem” mais.
Para sensibilizar os educandos a respeito desse
processo foi necessário estarmos sensíveis
às suas expressões. Para isso, contamos
com a experiência de ter atuado em diferentes
níveis de ensino e a vivência na
biodanza.
A sensibilidade para se perceber e perceber o
outro foi despertada através das vivências
de biodanza, um sistema que promove o desenvolvimento
do ser humano em uma totalidade. As vivências
enfatizaram o aqui e o agora e permitiram aos
participantes integrarem pensamento, emoção,
sentimento, percepção e intuição.
Trabalhar propondo-lhes vivências significou
criar condições para que se percebessem
como pessoas inteiras, capazes de ver e de sentir
a si, ao outro e o mundo. Na medida em que perceberam
seus limites e possibilidades estiveram abertos
para cuidarem, brincarem e orientarem outras pessoas
no seu processo de desenvolvimento e de integração.
A capacidade para "cuidar do outro"
foi despertada ao se trabalhar os potenciais humanos
primários, de modo a estabelecer uma integração
entre a dimensão motora, o sensorial e
o visceral, facilitando a expressão da
afetividade, da cognição e do movimento
numa totalidade.
Ao cuidar do processo de formação,
educador e educadora em processo de formação
são convidados a participarem da aventura
de viverem com intensidade.
Ao estabelecer uma proposta de educação
biocêntrica desenvolvemos ações
que se relacionaram com o "cuidar a vida",
com uma nova pedagogia de vida. Para isso foi
preciso desenvolver a criatividade para transformar
a própria vida, almejando uma percepção,
uma inserção e uma construção
ampliadas do mundo em que vivemos. Somou-se estar
sensível ao vínculo com nos mesmos,
com outras pessoas e com o universo. Ao mesmo
tempo foi necessário desapegar-se destes,
pois o novo exige sempre um desprendimento do
passado. Estar em contato com o novo, com o diverso
foi viver um processo de autocriação.
Ser educador é ser uma pessoa em processo
de vir-a-ser, é estar em permanente transformação,
reeducar-se continuamente, em comunhão
com os alunos e as alunas, em uma relação
profunda e comprometida.
2 - OS SONHOS: QUE FORAM
COMPONDO O COTIDIANO
Compreender o princípio biocêntrico
como fundamental na construção de
uma educação centrada na vida e
não nos conteúdos; Desencadear um
processo de formação baseada no
princípio biocêntrico, promovendo
o aprofundamento vivencial-teórico dialogado
de uma formação crítica,
articulada ao desenvolvimento dos potenciais humanos
de saúde numa ética da vida; Conhecer
e compreender o princípio biocêntrico
como paradigma educativo, político, ético,
social, econômico e cultural do III Milênio;
Proporcionar o fortalecimento da identidade favorecendo
um desenvolvimento e um crescimento a partir da
liberação dos potenciais adormecidos,
principalmente o afetivo e o criativo; Resgatar
a condição e o poder pessoal de
todos que compõem a comunidade educativa,
através de um sentimento ressonante com
todos os seres; Desenvolver a integração
inter e intrapessoal, sensibilizando para a importância
do trabalho teórico e de vivências
em grupo, priorizando a auto-regulação
e a vitalidade, descobrindo o prazer de aprender
e de viver; Resgatar a base instintiva, propulsora
de uma harmonia e de um equilíbrio vital,
reeducando as diversas formas de expressão
e contato; Resgatar o desejo e o prazer de desfrutar
a vida em sua totalidade e facilitar um processo
de integração consigo próprio,
com o outro e com o universo.
3 - PRIMEIROS ANUNCIOS:
É PRECISO VIVER POR INTEIRO
“Vá além dos limites do sonhado”,
É através deles que conseguimos
grandes conquistas”.
(ICT) .
Na primeira noite, lá estavam muitos rostos,
faces que anunciavam que já nos conhecíamos
de outros espaços e tempos. De imediato
fiquei a refletir o por que desta procura. Um
começo com uma vivência de verbalização
com as interrogações “Quem
somos?”, “Por que estamos aqui?”
Foi o foco para desvelar aquele momento do primeiro
encontro, das angustias, das expectativas, dos
sonhos.
Na roda, sentados no carpete confortável,
numa ampla sala. Um aparelho de som, muitos cds.
Sobre uma pequena mesa. Na roda, o ritual, revelador
das falas apreensivas, da não clareza e
das incertezas, certezas do aqui e do agora, foi
o nosso começo. A noite foi chegando e
com ela o canto dos pássaros que voltavam
para os seus ninhos nas árvores próximas
e invadiam harmoniosamente a sala pelas janelas.
Nessa dança a vida circundante dizia sim
à vida, através de uma polifonia
de sons cortados, recortados pelas falas que bailavam
no ar. Palavras nascidas da boca, da pele, da
vida e da realidade vivida foram revelando os
sonhos, os desejos e as expectativas dos participantes.
Fomos grafando em um diário de bordo “palavras
chaves”, falas, observações,
escutas, percepções, que foram fluindo
através da escuta silenciosa num profundo
ato de escutar com o coração, muitas
vezes interrompidas por risos que denunciavam
o desconforto, a insegurança, o medo e
a alegria de compartilhar o encontro.
Palavras foram nascendo dos lábios vacilantes
expressando o por que de estarem ali, de reencontrar-se,
voltando para a vida, curiosidade, buscar a harmonia,
viver a vivência na sua totalidade, busca
de liberdade, conhecer a biodanza, a necessidade
e possibilidade de fazer uma disciplina que fugisse
dos padrões estabelecidos, trabalhar a
timidez, as dificuldades de se expressar, romper
com o modelo de pensamento biológico presentes
na educação física.
Após este momento uma vivência envolvendo
música, movimento e emoção,
possibilitou o começo de um processo de
integração do grupo que se iniciava
nesta temática.
Ainda, organizamos um cronograma de temáticas
e vivências que foram desenvolvidos nos
nossos encontros: Roda de verbalização;
Roda de boas vindas; Caminhares; Roda de olhares;
Roda de despedidas e abraços. Roda de toques
e olhares, Roda de interiorização,
Roda de embalo; Roda rítmica; Rodas concêntricas;
Coordenação rítmica; Roda
de conservação, transformação;
Roda de interiorização; Roda de
celebração. Caminhar, conduzir o
outro. Caminhares com determinação;
Segmentares; Ir ao encontro do outro. Vivência
de verbalização; Fluidez, segmentares,
caminhares. Integração do próprio
ritmo; Sincronização em pares e
dança criativa. Conexão com o próprio
afeto, cuidar-se, cuidar do toque com o outro.
Cuidar do toque nas próprias mãos.
Acariciar; Grupo de contato mínimo. Aprender
abraçar e despedir-se. Escutar o coração
do amigo; Posição Geratriz de determinação;
Recebimento dos trabalhos; Olhar o caminho feito
no semestre; Escrever um texto sobre o semestre.
Trocas de abraços.
4 – AS VIVÊNCIAS:
ENCONTROS DE QUE MESMO?
Para Rolando Toro (2002:30) vivência é
entendida no sentido de:
...O conceito de vivência como a experiência
vivida com grande intensidade por um indivíduo
no momento presente, que envolve a sinestésica,
as funções viscerais e emocionais.
A vivência confere à experiência
subjetiva a palpitante qualidade existencial de
viver o “aqui agora”. Defini as características
essenciais da vivência e estruturei uma
metodologia precisa para induzir vivências
voltadas à integração e ao
desenvolvimento humano mediante estimulação
da função arcaica de conexão
com a vida, já que a vivência é
a expressão psíquica imediata desta
função.
Assim, o processo das vivências aconteceu
em três níveis: o cognitivo, o vivencial
e o visceral, sendo que embora cada um tenha sua
autonomia, estão neurologicamente relacionados.
As falas que veremos trazem o significado da vivência
para alguns dos participantes. Vejamos o que dizem:
... as vivências, os círculos onde
todos são iguais independentes da classe
social, do sexo, da raça rompem com as
amarras, com os preconceitos. A integração
espontânea, sem forçar a barra, a
simplicidade do toque que muitas vezes parece
ser difícil, mas o difícil e não
tocar, não sorrir... (ICT).
O significado da roda “o circulo”,
o agrupamento de pessoas, todas de mãos
dadas trocando energias, umas dando para as outras,
fazendo com que aquela pessoa que é mais
tímida ou que muitas vezes precisa que
alguém a escute, que lhe dê uma abraço,
está ali ... a roda dá um suporte
para a liberdade de se expor. Aprendi a ser mais
paciente, me relacionar com as pessoas, dando
espaço para o outro. A vida é um
palco e cada um tem a sua estréia. Fiz
novas amizades, reafirmei o que pensava sobre
a linguagem não verbal. Muitas vezes um
simples toque, um olhar carinhoso diz muita coisa
de uma pessoa. (ICT).
...nas vivências de toques percebi o quanto
nos falta sensibilidade nas nossas relações
diárias, sejam elas afetivas ou não.
Muito pouco nos preocupamos em deixar que o outro
nos toque, através de palavras, mas fundamentalmente
pelo tato... (ICT).
As afirmações explicitam nos fragmentos
dos textos acima o significado das vivências,
da roda, do toque, das amizades, da integração,
da liberdade. A importância da afetividade
para Toro (2002:9) que nos mostra, que a capacidade
de aprendizagem deve estar relacionada com o desenvolvimento
da aprendizagem explicitando que:
O prazer intelectual, o êxtase, a paixão
científica, a fecundidade criadora e o
diálogo crítico encantador surgem
de um contexto afetivo.
Ainda, em seus estudos, o autor mostra que a inteligência
afetiva não pode ser vista como uma forma
especial de inteligência. Pois existem formas
diferenciadas – a motora, espacial, mecânica,
semântica, social, que possuem como bebedouro
comum à afetividade .
5 - SACRALIZAÇÃO
DA VIDA: O PARAÍSO PERDIDO É AQUI...?
Os autores do livro Educação Biocêntrica
(1999), ao comentarem sobre a biodanza, afirmam
que o sistema surgiu de uma reflexão sobre
a vida, do desejo de restaurar em nós próprios
o paraíso perdido, integrando os nossos
gestos de solidariedade, numa dança de
conspiração para gerar mais vida
dentro da vida. Nessa obra, Marcos Cavalcante
(1999) considera que ao trabalhar a identidade
através da música, do movimento
(dança), sentimento, poesia, estabelece-se
uma comunicação dialógica
e afetiva entre todos os que se envolvem no processo
educativo.
Há, então, possibilidade de se construir
um conhecimento em um espaço interativo.
Desta forma a educação biocêntrica
promoveu a expressão autêntica que
partiu da vivência do educando, da educanda
e tornou-se possível integrar o seu saber
produzido, conectado aos seus sentimentos. Em
conseqüência, a vivência da cidadania
pautou-se no respeito e no amor pela vida.
Veremos alguns fragmentos de escrita onde apareceu
com força a temática biodanza “sintetizada”
nas palavras – “dizer sim a vida”,
“aprender a viver”, “enxergar-se
interiormente”. Interrogamos: Será
que estes princípios são estão
presentes nos processos de formação?
Será que os alunos, as alunas, os educadores,
as educadoras percebem o vivido no próprio
cotidiano?
É fundamental atribuir a biodanza aquilo
que Toro (2002:10) propõe: biodanza como
“mediação” nos programas
de educação, uma técnica
que estimula a afetividade e a consciência
ética.
Assim, as escritas expressam o significado do
que seja a biodanza:
A Biodanza, alegria, descontração
(e também contração para
alguns). Sabíamos que seriam elementos
certos nas aulas, mas com alguma teoria e reflexão
o que ficaria? Ótima oportunidade para
entender melhor a biodanza, o porque da roda,
da importância de vivenciar os encontros
de peito e braços abertos, permitindo-se
a sensibilidade... algo além de palavras
e conteúdos que muitas vezes ignoram e
por isso mesmo embrutecem nossas relações,
nos estereotipam, nos deixam “travados”
... Pensar um pouco sobre tudo isso. Ter cada
vez mais claro que dizer “sim a vida”
– como o próprio professor nos dizia
nas aulas – é algo realmente complicado
num cotidiano de relações “travadas”,
e ao mesmo tempo realmente simples quando nos
sensibilizamos e deixamos fluir as vivências,
as percepções de cada um de nossos
sentidos ... Eis o que de mais importante ficou,
ah, e voltar para casa tão “relax”
e com uma sensação de recompensa
depois de uma aula, é algo sem preço.
(ICT).
A biodanza era o que estava faltando na minha
vida... fui capaz de conhecer melhor o meu corpo,
meus sentimentos, dosar minhas atitudes no dia
a dia, melhorar imensamente meu humor. Posso garantir
que hoje sou uma pessoa mais feliz e menos estressada,
graças a vivência de biodanza. Estou
imensamente satisfeito, pois todas minhas expectativas
foram vencidas e já estou com saudades
de nossos encontros que contribuíram para
refletirmos sobre o que queremos, o que procuramos
na vida, do contexto que nos cerca, para avaliar
o momento atual e o futuro. Espero que possamos
nos cuidar melhor no decorrer de nossa vida e
não esquecer de uma coisa muito importante:
é preciso saber viver. (ICT).
A biodanza contribuiu e continua contribuindo
em minha vida. Aprendi a enxergar-me interiormente,
estar em sintonia com o mundo, a olhar as pessoas
que me cercam, a dar valor a pequenas coisas,
a ser mais confiante, aprendi que com um simples
gesto é possível grande mudança,
que no olhar existe comunicação
que revela grandes sentimentos, possibilita enxergar
um verdadeiro universo de emoções.
Aprendi que tocar, acariciar, não faz mal
nem cai pedaços. (ICT).
Acima podemos perceber o que significou para alguns
dos participantes a biodanza – “dizer
sim a vida”, “conhecer melhor o corpo,
os sentimentos”, “a enxerga melhor
meu interior” enfim, foram várias
colocações que possibilitou romper
com uma cultura antivida, com um processo histórico
de destruição, de sofrimento, de
competição, de isolamento, de injustiças
que graça nos “bancos” escolares.
A nossa proposta orientou-se numa cultura da afetividade,
da consciência e da ética proposta
por Rolando Toro. Isto foram os conteúdos
de nossos encontros.
6 - CONSTRUINDO OUTROS CAMINHOS
Os participantes foram descobrindo outros jeitos
de caminhar o próprio processo de formação,
falam de conexão consigo próprio,
com o outro e com o mundo. Algumas das falas nos
dão indicativos de que:
... Acabei descobrindo coisas dormentes dentro
de mim, para o meu bem e de meus colegas. Adorei,
foram muitas boas estas aulas... (ICT).
... Posso dizer com certeza que meu ”eu”
teve um crescimento em qualidade, prazer de viver.
... Estou alcançando as pessoas que me
rodeiam. Tenho ainda muitas barreiras para transpor,
muros para derrubar , que enveredar por muitos
caminhos. Sei que é hipócrita quem
diz que não tem... (ICT).
A amizade é muito importante, no mundo
em que vivemos, sabemos o quanto é necessário
valorizar, ouvir, aconselhar, ajudar, enfim, acreditar
naquele que está ao nosso lado, só
que isso é difícil de se realizar,
pois não fomos acostumados a crescer com
o outro e sim destruí-lo. (ICT).
... Lembrar de não menosprezar os outros
e falar a verdade, não ter preconceitos
sobre os colegas independentes de cor, raça,
religião. Olhar olho no olho, porque isto
mostra o que a pessoa quer dizer, o olhar diz
tudo... (ICT).
... Uma completa harmonia e integração
do grupo. Tocar uma pessoa e ser tocado passa
a ser uma entrega muito boa que vai relaxando
os estresses do cotidiano. (ICT).
Saber respeitar o espaço de cada um. Conviver
em harmonia com as pessoas. Foram alguns dos pontos
mais positivos para mim, estando bem comigo para
ajudar o próximo e estar de bem com a vida...
O contato com outras pessoas transmite diferentes
sensações, como relaxamento, bem
estar, autoconfiança, importantes para
o desenvolvimento emocional do ser humano. (ICT).
Passou-me a impressão de que as pessoas
procuravam expor o que realmente sentiam, sem
demagogia, embora algumas idéias expostas
não agradem a todos, o importante foi à
seriedade das colocações. (ICT).
... Foram tantos os momentos vividos e inexplicáveis
o sentimento aflorado, poder contar com todas
estas experiências, dos desafios propostos,
foi um prazer fazer parte desta história...
( ICT).
Das citações acima, extraímos
palavras que expressam os significados dos encontros.
Deixemos que elas bailem em nosso corpo: Prazer
de viver, amizade, coisas dormentes, lembrar de
não menosprezar os outros, saber respeitar
o espaço de cada um, importância
da sinceridade dos diálogos, momentos vividos
inexplicáveis, desafios, aflorar sentimentos,
ser parte da história.
Rolando Toro (2002:12) expressa que quando alguém
realiza a “sua“ dança acessa
profundamente parte da totalidade cósmica,
um ritmo vivo dentro do gigantesco holograma...
Cada pessoa mesmo sem ter plena consciência
disto, está dançando sua vida.
Foi isto que aconteceu durante este semestre onde
cada e todos os participantes dançaram
o próprio processo de ser educador e educadora
em formação em permanente mudança.
Vejamos o que indicam os fragmentos das falas
vindouras:
Cresci no sentido de me educar perante os demais,
mesmo que ainda com um pouco de timidez, mas posso
dizer que venci algumas barreiras. Cresci também
no sentido de ter liberdade de dizer para o outro
que gosto dele, que sua presença para mim
é importante romper com as barreiras do
preconceito de dar um beijo e um abraço
bem apertado. Cresci no sentido de dizer que preciso
de ti para me fazer, por um momento, mais feliz.
Cresci ao lembrar que chorar, desabafar, dar opinião
não é vergonhoso e assim como queremos
que nos escute, é preciso escutar também.
(...) Ali a preocupação era o meu
“eu interior”, olhar para mim e seguir
em frente. O tempo era destina a si mesmo. E isso
que estamos precisando hoje em dia, cada um de
nós, buscar a si mesmo, se conhecer melhor,
se valorizar para que possamos nos sentir seguros
o suficiente para chegarmos nos outros e olha-los
nos olhos, sem medo, sem vergonha e com certeza
de que estamos fazendo o melhor de nós,
para nós mesmos e para o mundo. Olhar,
além do que enxergamos. (ICT).
Minha vida se modificou de tal forma em tão
pouco tempo, e o crescimento foi grande na parte
interior. Sempre pensei que para isso ocorrer
teria de colocar a mochila nas costas e pé
na estrada. Mas não foi preciso, pois a
vida em sua melodia perfeita dá sempre
um jeito de acontecer algo que necessitamos (...)
Sou uma eterna apaixonada pela vida (...) dizer
que aprendi ... devemos ... viver e não
ter a vergonha de ser feliz, cantar a beleza de
ser uma eterna aprendiz, Ah meu Deus que a vida
teria de ser melhor, e será. Mas isso não
impedirá que eu repita é bonita
e é bonita! (Da eterna aprendiz).
Rolando Toro (2002:13) em um de seus escritos
expressa que:
O Princípio Biocêntrico deve infiltrar
todos os âmbitos da atividade humana. Se
você está conectado com a vida, está
automaticamente instalado em uma posição
política: a daqueles que defendem a vida
e lutam contra a exploração e a
injustiça.
Seguindo a perspectiva anunciada acima –
outras falas mostram que:
O tempo era destinado a si mesmo”, “olhar
além do que enxergamos”, “a
busca de si mesmo”, (...) “a vida
em sua melodia perfeita dá sempre um jeito
de acontecer algo que necessitamos...”,
“ser uma eterna apaixonada pela vida”,
“não ter a vergonha de ser feliz.
É o que acontece quando estamos conectados
com a vida. A sacralização da vida
é o que dá à sua vida, ao
seu amor, à sua sexualidade e as suas criações
a qualidade de transcender, como nos convida Rolando
Toro em suas vivências.
A partir do Princípio Biocêntrico
a vida torna a se organizar com convivência
e coexistência no divino. Quando desenvolvemos
a capacidade de conexão com nossa intimidade,
de união agradável e de beleza,
a biodanza é a própria vida.
Neste sentido essas falas estão “grávidas”
de um novo jeito de viver que ficou expresso nas
escritas, nas vivências e nas conversas
cotidianas.
No entanto, os próximos registros nos encaminham
para perceber como Educação Biocêntirca,
foi compreendida:
Foi o único espaço da Faculdade
em que as pessoas se tratam de igual para igual,
com um sentimento de carinho, afeto e contentamento
estampado no rosto... (ICT).
A importância de deixar tempo livre para
fazermos só o que gostamos e nos desligarmos
um pouco do agito de cada dia, pois estamos sempre
correndo de um lado para o outro. Percebi que
é possível superar medos presentes
em cada um de nós, valorizar e verbalizar
nossos sentimentos...(ICT).
Aprendi que devo fazer o que sei fazer, sempre
encarar os problemas de frente, aprendi a assumir
o controle e assumir o PALCO... (ICT).
Talvez, palavras como igualdade vivencial, tempo
livre, desligar do agito, superar medos dos velhos
padrões e assumir o palco possam nos dar
uma dimensão de totalidade que transcende
as velhas maneiras de se viver nesta Universidade.
Um dos participantes o “Camponês”,
com a calma, de quem não perdeu a conexão
com a cidadezinha que vive encravada nas “coxilhas”,
nos embriaga com a dança poética
do seu anuncio dizendo que aprendeu:
A respeitar e ouvir as batidas do coração
dos meus colegas,
A sentir de novo minha respiração,
A ver a beleza do céu, da terra, da lua,
das estrelas, do mar, lagos, peixes, pássaros
e seus movimentos,
Aprendi que mesmo de brincadeira sigo o que fala
o coração, faço a minha maneira
da vida renascer uma canção, e lá
tenho vontade de te ver, te querer, te abraçar,
de correr pela areia, que vontade de amar vocês.
Aprendi que sou ser em eterna transformação,
e que tenho muito ainda a aprender, que nada sei,
muito pouco sei, mas para quem achava que tinha
perdido a alma, que pensava que este mundo não
tinha mais jeito, agora sinto mais do que nunca
minha alma pulsar dentro de mim. São ainda
pulsos fracos, mas sem dúvida vão
se tornar mais fortes para modificar o mundo,
Deixei de ficar indiferente às coisas que
acontecem em minha volta,
Enxergar a beleza de meus colegas,
Ouvir as batidas de meu coração,
Ouvir o eco dos meus passos,
Respeitar as diferenças
Vi o brilho de paixão nos olhos do meu
amor,
Voltei a enxergar o brilho dos olhos de alegria
dos meus amigos e amigas a enxergarem também
suas decepções e tristezas, e tentei
abrandá-las. (ICT).
E assim vamos seguindo o ritmo dos dedos, com
os toques sutis que marcam e demarcam as redes
de diálogos realizados com os autores,
e as autoras vivos, que perambulam nas tardes
e noites acinzentadas por diferentes ruas da cidade.
Olhares com novos jeitos de parir a vida, convites
a muitas paradas, diferentes caminhos, ninhos,
muitos encontros, infinitos jeitos de amar. Construir
novos jeitos sem matar os velhos jeitos que fazem
o novo, que se faz velho, para nascer uma infinita
dança de transformação. Outros
participantes foram percebendo que a Educação
Biocentrica:
... Não aprende em outras disciplinas.
Nosso relacionar-se com o mundo, como tratar com
as pessoas, como ser amigo, com o olhar que faz
tanta diferença e tão bem e lembrar
o quanto é importante e essencial. (ICT).
... Vivências maravilhosas que com certeza
levarei para toda a vida, me fizeram parar para
analisar o que posso e o que não posso
fazer, por me tornar uma pessoa mais calma e por
me fazer ver o quanto são importantes são
as pessoas que nos rodeiam. (ICT).
A princípio posso dizer que fica uma saudade
do encontro, do olhar, dos sentimentos que conseguimos
construir junto, mas é muito mais do que
isso.
Fica também muita alegria, muita paz, muita
tranqüilidade e até diria tristeza.
Tristeza não por mim, mas pelos muitos
professores e alunos desta escola que não
dão importância pelo que podemos
vivenciar na grandiosidade desta disciplina...
(ICT
Com tudo que apreciamos acima ao tecer estes
caminhos nas vivências pautadas no Princípio
Biocêntrico. Iniciamos uma reflexão
a respeito do que é o "cuidar da própria
vida". Cuidar da vida de educandos em formação
é cuidar do encontro do eterno vir a ser
educador e educadora em processo de formação
cotidiana. E educar e cuidar não significa
superproteger com ações fechadas
e isoladas. O educar e cuidar envolve estar atento
a tudo que se passa na vida, é estar junto,
é oferecer condições para
o crescimento do outro, para que desenvolva as
potencialidades adormecidas. É o gerar
vida a partir da própria vida. Estar atento
ao outro sem querer determinar o seu caminho.
É caminhar ao lado com o outro percebendo
o seu ritmo, que não é mais o ritmo
individual, mas passa a ser o da relação.
O cuidar e educar entendido como uma arte de encontrar
o ponto do centro, de equilíbrio, de encontro,
que envolve educador e a educadora e educandos
e educandas em um processo de ser um eterno aprendiz.
Para entrar em sintonia com o universo dos educandos,
das educandas foi preciso ter abertura para o
universo que partilhavam. Ter coragem para viver
junto às suas emoções, estar
disposto para acompanhar suas idas e vindas, seus
desvios, suas permanências. Para que isso
acontecesse foi necessário sentir admiração
e respeito por nos mesmos, pelos outros e pelo
universo.
As aulas de Educação Biocêntrica
não negaram as emoções, o
prazer, a alegria, os sonhos que permitiram o
pulsar dos diferentes conhecimentos construídos
nos espaços de uma escola que ainda é
incapaz de gerar vida. Mesmo assim, procuramos
viabilizar o equilíbrio da razão
e emoção que rompeu em nossas aulas
com as abordagens fragmentadas e dualistas presentes
e ou simbolizadas de várias maneiras nesta
Universidade.
EPITÁFIO: PORTOS, LABIRINTOS, INTERROGAÇÕES
QUE FICAM?
Caminhos, palavras, frases, poesias, momentos
vividos, músicas, reflexões, anúncios,
denuncias, outros cantos e encantos – “é
preciso saber viver, não ter a vergonha
de ser feliz, cantar e cantar... viver, viver
...” .
“Deveria ter andado mais”,
Ter chorado mais,
Ter visto mais o sol nascer,
Deveria ter me arriscado mais,
E até errado mais,
Ter feito o que eu queria fazer,
Queria ter aceitado,
As pessoas como elas são,
Cada um sabe a alegria,
E a dor que traz no coração.
O acaso vai me proteger.
Enquanto eu andar distraído.
Enquanto eu andar.
Deveria Ter complicado menos,
E trabalhado menos,
Ter visto o sol se por.
Devia Ter me importado menos,
Com problemas pequenos.
Ter morrido de amor!
Queria ter aceitado a vida
Como ela é,
A cada um cabe as alegrias e a tristeza que vier.
Epitáfio significa inscrição
tumular. Os titãs colocaram nessa linda
melodia uma reflexão sobre a vida. Não
deixe para o epitáfio, escreva hoje a história
de sua vida, viva intensamente cada instante,
como se não houvesse um amanhã.
Portanto, viva mais, se culpe menos, e também
culpe menos. Aceite a vida, ela é realizada
por você. Repare mais àqueles que
te rodeiam. Lembre-se que cada um é um
ser diferente com suas virtudes e seus defeitos.
Repare mais no sol, na lua, nas estrelas, nos
pássaros, nas flores, nas borboletas, na
beleza da natureza enfim, arrisque mais, chore
mais, ria mais, brinque mais, namore mais, viva
mais.
Nesse sentido, nas nossas aulas foram vivenciadas
por:
1. Aqueles e aquelas que buscaram encontros com
a vida, com a liberdade, a criatividade, curiosidade,
a harmonia – estes foram à maioria
presentes nos encontros.
2. Aqueles e aquelas que queriam trabalhar as
dificuldades de se relacionar, de se expressar,
de olhar, de tocar, de abraçar, de serem
mais afetivos e aceitos nos espaços onde
vivem.
3. Por último aqueles e aquelas que ali
estiveram para cumprir as exigências do
currículo e não conseguiram ser
responsável pelo próprio caminho.
Ainda, ao final do semestre interrogamos: O que
ficou dos encontros? Cada participante escreveu
os caminhos, organizaram comentários, observações,
sugestões que foram reveladoras dos processos
vividos. Alguns desses fragmentos indicam que:
As noites parecem mais leves, ao som das músicas
alegres e relaxantes, em duplas, pequenos grupos,
até mesmo num grande grupo como um todo,
nos olhamos, sorrimos para os colegas... Perdemos
o medo, rompemos com os tabus de encarar os colegas,
de tocá-los, aprendemos a ter respeito.
(ICT).
Há muito tempo vinha procurando por isso,
na verdade sempre pensei, apenas não conseguia
parar. De uns dois anos para cá venho passando
por algumas situações que me fizeram
parar, desacelerar um pouco e rever meus conceitos
sobre as diversas coisas, sobre a vida. Quem eu
era? Quem, quero ser? Agucei mais meu olhar sobre
as pessoas, consigo olhar, observar as pessoas
mais do que elas representam, mesmo aqueles que
tenho mais contato, percebi que as conhecia pouco,
embora fizesse parte da vida delas não
conhecia a história delas... (ICT).
Nas falas acima é possível perceber
a necessidade da Escola ser um espaço de
conexão com a fluidez, com a alegria, com
o olhar, um espaço para romper com os tabus,
com as discriminações. Diríamos
aquilo que Rolando Toro (2002:8) enfatiza em de
seus escritos. “Aprender a aprender”
estimulando a curiosidade e o interesse no processo
de participar na construção do conhecimento.
Ele enfoca dois momentos fundamentais: primeiro
“aprender a sentir” para logo “aprender
a pensar”.
Interrogamos como tem sido este processo nas escolas.
Não terá sido o inverso? Será
que existe sentir? Será que existe pensar?
Não será simplesmente “decorar”,
copiar, movimentos?
Na segunda fala vem à baila a reflexão
– “aprender a pensar” no próprio
processo de formação, sobre as necessidades
de desacelerar, refletir o cotidiano, aguçar
o olhar sobre o mundo que nos cerca, sobre os
conhecimentos, sobre a eterna pergunta quem somos?
O que queremos? Para onde vamos? Onde queremos
viver? Com quem queremos viver?
São reflexões iniciadas nas vivências
que realizamos de “aprender a sentir”,
viver o aqui e agora na Universidade, rompendo
com a dimensão de transmissão de
conteúdos, propondo aquilo que Rolando
Toro (2002:8) enfatiza: “A construção
do conteúdo conceitual se gera na inteligência
afetiva em uma prática epistemológica
vivencial”.
Ficam estas interrogações para outras
possíveis viagens, delírios na construção
de um mundo digno, justo e feliz.
Ainda, ficaram interrogações tais
como: O que significa tecer redes de sensibilização
criativa dentro de nossas Escolas? Será
que existe sensibilidade dentro das instituições?
Como os educadores, as educadoras olham para os
universitários em formação?
Como sentem seus cheiros, seu tato, suas interrogações,
seus medos, suas certezas e incertezas? Será
que as direções das Escolas, as
coordenações, conseguem olhar nos
olhos dos educandos e das educandas e enxergar
a vida que ali pulsa? E os planejadores de educação
do País, do Estado, do Município
enxergam os diretores, as diretoras, os coordenadores,
as coordenadoras, os educadores, as educadoras,
as crianças, os pais e as mães?
São encarados como seres que necessitam
ser compreendidos, educados, cuidados e amados?
Os participantes têm consciência que
a biodanza é vida, que a educação
biocêntrica não existe nas escolas,
que é necessário transpor barreiras,
romper muros e que não existe sensibilidade
nas relações da vida na atualidade.
Assim, é a eterna transformação,
saudades dos encontros, do caminhar de peito e
braços aberta. Lembranças da infância,
tocar e ser tocado, harmonia do grupo, falar a
verdade, lembrar que chorar não é
vergonhoso, muita paz, muita tranqüilidade
e até diria tristeza.
A importância de reparar mais no sol, na
lua, nas estrelas, nos pássaros, nas flores,
nas borboletas, na beleza da natureza, enfim.
Arriscar mais, transformar-se, chorar mais, rir
mais, brincar mais, namorar mais, viver mais...
Mas viva intensamente.
Estas palavras representam o aqui e agora de nossas
aulas “de se querer”, como carinhosamente
foram “batizadas”, quando alguém
queria saber se alguém iria a aula de Educação
Biocêntrica perguntavam: Tu vais a aula
de “se querer” hoje!
Educar-se juntos, tempo para cuidar-se, assumir
o palco da vida, relacionar-se consigo próprio,
com o outro e com o mundo, ouvir o ritmo do próprio
coração. Ver o brilho nos olhos
dos colegas, compartilhar o cotidiano. Enfim,
diríamos mil percepções,
outras sensibilidades vivas, faceiras, não
rotineiras a cantarem que um outro mundo é
possível se a gente quiser viver o cosmos
como nossa grande casa.
Por último, neste processo ficaram as vivências,
as noites leves, os toques, os carinhos, as rodas
de encontros, as descobertas, o crescimento interior,
a harmonia, a integração, o respeito,
os sentimentos aflorados, as emoções,
as alegrias, os medos, a beleza de ser um eterno
aprendiz, de viver e não ter vergonha de
ser feliz conforme anuncia Gonzaguina numa música.
“E o mundo pode continuar em paz e ser feliz”
como nos convida Rolando Toro.
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