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GENERO
MASCULINO NA BIODANZA
Gaston Andino
RESUMO
O presente artigo é uma síntese
da teoria que dá sustento ao trabalho de
Gênero masculino que a anos venho desenvolvendo
dentro da proposta metodológica da Biodanza.
Parte do porque a crises do masculino, como os
homens estão perdidos demonstrando isto
dentro do analise da cultura patriarcal, o que
significa esta, quais são suas características;
qual é o tipo de homem que resulta de ela.
A crises do masculino, alguns aspectos de esta
crise como: a falta de Rituais de Iniciação,
do iniciador, a aprendizagem a conviver com seu
aspecto Yin da identidade masculina, e o encontro
com os potencias adormecidos que nos permitem
o fortalecimento e integração de
nossa identidade - os Arquétipos ligados
as cinco Linhas de Vivencia proposta pela Biodanza.
Palavras Chaves:
Crises da masculinidade, o Yin no homem, Rituais
de Iniciação, os Arquétipos
Masculinos.
Introdução
Hoje nos homens vivemos uma profunda crise de
Identidade que se traduz em perguntas como:
Qual é o significado de ser homem hoje?
Como ser um homem sensível e afetuoso,
tendo uma postura viril sem ser machista?
Como relacionarmos com a mulher de uma maneira
autentica e criativa?
Estamos vivendo um momento de grandes incertezas
onde tudo esta sendo revalorizado, questionado:
“uma intuição coletiva parece
indicar que algo falha em modelo masculino que
predomina na sociedade” (Juan Carlos Kreimer)
É uma crise da cultura patriarcal, que
faz mais de 8.0000 anos que determina um olhar
só masculino do mundo, da sociedade em
todos seus aspetos. Formado uma rede centralizada
na figura masculina, um modo de olhar, sentir
e pensar a vida. “ O Patriarcado é
muito mais que o governo o autoridade de um Pai
que manda sobre sua família. È um
sistema de relações muito profundo,
que abarca o emocional, os valores, o corporal,
e vai alem de certas características que
podemos relacionar com o machismo” (Juan
Carlos Kreimer).
Esta se viu cristalizada na visão do paradigma
antropocêntrico, onde o homem – macho
racional determina com seu pensar todo o que acontece
em ele e seu ao redor (modo de vida, nas ciências,
na arte, etc).
Alguns aspectos da cultura patriarcal som:
-O poder como eixo central do viver, o poder sobre
meu universo pessoal (emocional, no psíquico
e corporal), sobre as relações interpessoais
onde o controle, a obediência, a subordinação
e a hierarquia dão sustento a este. O poder
sobre a natureza, de intervir em seus ciclos e
movimentos naturais.
-A violência, a guerra como uma maneira
de solucionar as diferençaas, os conflitos;
e esta é olhada como um valor, uma virtude
“natural – normal”.
-Uma negação do feminino, de todo
o que este contempla: sexualidade, procriação,
sua sabedoria, seu olhar estético do mundo.
-Uma forma de pensar e ver as coisas de maneira
simples e lineal, onde todo está subordinado
à autoridade em negação as
diferencias.
“Nossa cultura tem favorecido, com firmeza,
valores e atitudes yang, ou masculinos, e tem
negligenciado seus valores me atitudes complementares
yin, ou femininos. Tem favorecido a auto-afirmação
em vez da integração, a análise
em vez da síntese, o conhecimento racional
em vez da sabedoria intuitiva, a ciência
em vez da religião, a competição
em vez da cooperação, a expansão
em vez da conservação, e assim por
diante. Esse desenvolvimento unilateral atinge
agora, em alto grau, um nível alarmante,
uma crise de dimensiones sociais, ecológicas,
morais e espirituais”. (Capra 1983:17).
A pergunta que nos surge é: qual é
o homem que esta cultura a ido cristalizando?
Um homem forte, independente, seguro, agressivo,
audaz, competitivo e invulnerável.
O qual não se permite ter medo, duvidas,
angustias, nem vergonha. Que sempre procura o
êxito, e o poder. Que ao nível da
afetividade tem dificuldade de admitir e comunicar
o que sente, e sofre de um grande isolamento emocional.
“A mística do masculino: isolamento
emocional e incapacidade adquirida para admitir
e comunicar o que sente”. (Graciela Ferreira
1995-Pág. 60).
Um homem que se sente seguro só em determinados
âmbitos como: o esporte, a política
e o sexo pelo sexo.
“O território mais seguro que não
põe em risco sua intimidade é: esporte,
política, e sexo” (G. Ferreira 1995-Pág.
61).
Um homem que desde seu nascimento e socializado
para diferenciar-se, de não se parecer
da mulher, e negar qualquer sinal do feminino
em seu comportamento.
Que em nível da sexualidade a norma é
a heterossexualidade, de uma pobreza afetiva que
o impede de vincular-se com outros homens profundamente
(Homofobia).
Esta crise do que significa ser homem hoje nos
permite que possamos mergulhar profundamente em
nos mesmos e romper com os estereótipos
com os quais temos sido socializados. Si bem o
modelo tradicional masculino nos tem outorgado
uma serie de benefícios, também
a sido prejudicial para nos homens.
“O modelo tradicional aparentemente tem
uma seria de benefícios pero no fundo atitudes
machista é prejudicial para o homem”
(Daniela Cheveke ano 2-N 23)
Por isso nos homens temos que começar a
reflexionar sobre esta crise desde uma óptica
masculina também, de fazer uma nova leitura
do que significa ser homem, não basta só
tomar em conta a crítica das mulheres à
cultura patriarcal, temos que fazer a crítica
também desde o olhar masculino.
O yin masculino
Dentro da concepção da biodanza
questão de Gênero e vista como ciclos
da vida cósmica que em um constante movimento
se expande e se recolhe, e o dia e a noite, a
luz e sombra, o masculino e o feminino.
O yin segundo a visão Taoísta é
o feminino, o obscuro, o instintivo, o inconsciente,
o receptivo, que se complementa com o Yang, o
masculino, o luminoso, racional, consciente, aquele
que abre caminho, que penetra.
O homem é externamente Yang em seu corpo,
em sua forma de lidar com a realidade através
da racionalidade, da objetividade. Tendo ficado
preso a este estereotipo esterno em detrimento
de seu mundo interno, o Yin pode ser caracterizado
por: sensibilidade, intuição, empatia,
humildade, emoção.
“O homem é não só um
ser sexual, mas igualmente um ser bissexual, que
combina em si o princípio masculino e feminino
em proporções diferentes, não
raro mediante um duro conflito. O homem em que
o principio feminino estivesse completamente ausente
seria um ser abstrato, inteiramente separado do
elemento cósmico.
Somente a união desses dois princípios
é que constitui um ser humano completo”.
(Nicolas Berdyaeu, The destiny of man, harper
torchbooks Nova York, 1960 Pág.61-62 Citado
por John A. Sanfor São Paulo – Paulinas
1986 Pág. 12).
É de suma importância que nos homens
logremos fazer as passes com nosso mundo interno
de nossos afetos, aprender a guiarmos pela nossa
intuição, saber ter humildade reconhecendo
que existem determinadas situações
que não sabemos lidar.
O Yin no Masculino é muito mais que a mulher
interna, é um universo desconhecido de
sensações e emoções
que temos que aprender a conviver saudavelmente
com elas é não negar o projetar
em os outros o outras.
Rituais de Iniciação
Outro aspecto da crise da masculinidade é
pela falta de Rituais de Iniciação,
rituais que iniciem ao jovem à vida adulta.
As antigas culturas “sabiam” muito
bem que o menino para tornasse homem necessitava
de um acontecimento importante em sua vida que
lê permitirá sair do mundo da infância,
do “Abraço da Mãe” para
ingressar no mundo dos homens – dos guerreiros.
Com este fim existiam os chamados Rituais de Iniciação,
consistiam em diferentes provas físicas,
desafios que o menino chia que passar para tornar-se
homem.
“Por Iniciação entende-se
geralmente um conjunto de Ritos e Encenações
orais que têm por finalidade a modificação
radical da condição religiosa e
social do sujeito iniciado. Filosoficamente falando
a iniciação equivale a uma mutação
ontológica da dinâmica existencial,
ao final das provações, goza o neófito
de uma vida totalmente diferente da anterior a
iniciação: converte-se em outro”
(Mircea Eliade 1975-Pág. 10).
Para a Biodanza segundo seu criador: “os
Ritos de Iniciação tem caráter
de provas (desafios) em que a pessoa entra em
contato com sua própria essência
(Identidade)” (Rolando Toro 1998-Pág.
41).
Se bem se fala que hoje existem alguns rituais
como: ingressar no exército, na gagy e
outros; estes não podem ser tidos como
Rituais de Iniciação, pois parte
da premissa errada: a desqualificação
de quem é iniciado e o menos preço
pela vida de este.
“A nossa cultura, ao contrario, possui pseudo-rituais.
Temos muitas pseudo-iniciações par
os homens. O recrutamento militar é uma
delas. A idéia fantasiosa é que
a humilhação e a não identidade
forçada dos campos de treinamento vão
“fazer de você um homem”. As
gangues existentes nas grandes cidades do mundo
constituem um outro exemplo dessas supostas iniciações,
assim como também o são os sistemas
penitenciários, os quais em grande parte
são dirigidos por quadrilhas de criminosos”
(Douglas Gillete e Richar.(pág. 5)
Dentro dos antigos Rituais de Iniciação
existia o papel ritual do ancião iniciador,
que eram homens com sabedoria que faziam de ponte
para transitar de um estado a outro. Este é
um aspecto também da crise da masculinidade
a falta de iniciadores, pois existe por parte
da cultura atual que menosprezam a sabedoria dos
mais velhos, estes são jogados à
beira da estrada da vida; e também existe
um medo muito arraigado nos homens de cumprir
este papel – ritual.
A crises do modelo patriarcal, a falta de Rituais
de Iniciação e dos iniciadores tem
gerado homens dissociados o como alguns autores
falam: “do puer-aeternus, dos meninos voadores,
complexo de Peter-pan, etc.” Ou seja, homens
com grandes dificuldades de integrar, aprofundar
sua vida afetiva, criativa, sexual, existencial,
em uma linguajar comum som “homens imaturos”.
Outros ficam presos em determinados estereótipos
como o durão, o débil, o agressivo,
etc.
A nossa proposta de trabalho do resgate da identidade
masculina recria antigos rituais de iniciação
que permite aos homens ir ao encontro de sua essência,
potencializando a traves dos arquétipos
vinculados as cinco linhas de vivência que
a biodanza propõe.
Os arquétipos masculinos
Os arquétipos são imagens carregadas
de emoção que se encontra no inconsciente
coletivo que Jung propõe.
Estas imagens ao serem vivenciadas, permitem potencializar
aspectos nossos adormecidos ou que não
se manifestavam em nossa existência.
Na biodanza os arquétipos estão
ligados as cinco linhas de vivencias, pediríamos
dizer que seu regate esta intimamente vinculado
o nosso mundo instintivo.
Na Linha da Vitalidade encontramos o arquétipo
do selvagem:
“O selvagem atua por instinto ele sabe
onde esta o perigo, a saúde, etc. Ser um
bom selvagem e comer com voracidade, fazer amor
com bondade e com intensidade. O núcleo
organizador do comportamento e o instinto (sobrevivência);
só depois de expressar o instinto permitiremos
a manifestação de outros elementos:
criativos, afetivos e místicos; a passagem
do selvagem ao místico e conexão
com a natureza”. (Rolando Toro).
Também em esta linha se encontra o arquétipo
do guerreiro e do herói. Significa a capacidade
de poder resgatar a força e potência,
necessária para abrir espaços em
nossa vida.
“O homem que tem acesso ao arquétipo
do guerreiro possui pensamento positivo. Isto
significa que ele tem espírito invencível,
grande coragem, que ele não tem medo, que
assume as responsabilidades por seus atos e que
tem autodisciplina. Disciplina significa que ele
possui o rigor para desenvolver o controle e o
domínio sobre seu corpo, e que e capaz
de suportar tanto a dor, tanto psicológica
como física”.(R.Moore&D.Gillete).
O arquétipo do herói é aquele
que nos permite sair do indiferenciado começar
o caminho, nosso próprio caminho.
“Herói é aquela pessoa que
soube combater as limitações histórico-pessooais,
alcançando desta maneira formas humanas
válidas”. Joseph Campbel - O Herói
de mil faces.
Na Linha da Sexualidade, encontramos o arquétipo
do amante indiferenciado, de motivações
eróticas e orgásticas.
“O Amante é o arquétipo da
representação e da “exibição”,
da encarnação saudável, do
estar no mundo dos prazeres sensuais e no próprio
corpo sem sentir vergonha. Assim, o amante é
profundamente sensual – sensualmente consciente
e sensível ao mundo físico em todo
o seu esplendor”. (Moore & D. Gillette).
Na Linha da Criatividade, encontramos o artista,
a criação na arte e na ciência,
a inovação, a transgressão,
e aquele que faz o processo alquímico de
transformar a sombra em luz, que se vincula com
o Arquétipo do mago. Este arquétipo
e de fundamental importância, pois permite
modificar aqueles padrões, estereótipos
culturais que nos impedem de ser nos mesmos.
Na Linha da Afetividade encontramos o humanista,
o sábio, o curandeiro. È a linha
do coração, da compreensão
e do amor. A verdadeira sabedoria nasce no coração
e ela a que nos ensina e cura.
Na Linha da Transcendência aqui encontramos
os Arquétipos do Grande Pai aquele que
cuida da proteção a sua prole. Da
Criança Divina, que nos devolve a bondade
de viver, de olhar sempre a vida como uma nova
oportunidade de viver, de uma conexão com
o essencial da vida.
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