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BIODANZA COMO NOVA ABORDAGEM TERAPÊUTICA
PARA PACIENTES COM PROBLEMAS CARDIOVASCULARES.
Geny A. Cantos ; Elisabete da Silva Melo;
Cláudia S. M. Silva, Carmen D. Waltrick;
Elizabeth M. Hermes.
Resumo
Este trabalho considerou o elevado número
de indivíduos no Serviço de Cardiologia
do Hospital Universitário da Universidade
Federal de Santa Catarina- Florianópolis-Brasil.
Desde então uma equipe multiprofissional
tem trabalhado no sentido de atuar na prevenção
de doenças cardiovasculares na população
universitária. As medidas não farmacológicas,
incluíram a dieta, atividade física,
controle do peso e cessação do fumo
e controle do estresse. Em março do ano
2002 foi inserida a biodanza no grupo, com o objetivo
de oferecer uma nova abordagem terapêutica
a pacientes com dislipidemia da UFSC. As sessões
de biodança foram ministradas para 29 pacientes
uma vez por semana. Os resultados deste trabalho
mostraram que por meio da música, do movimento
e da comunicação, a maioria dos
participantes apresentaram modificações
estáveis no estilo de vida, diminuíram
o estresse e puderam melhorar a qualidade de vida.
Palavras-chave
biodanza, doenças cardiovasculares, estresse
Introdução
Biodanza significa deixar o corpo fluir normalmente
com o ritmo da vida. Atualmente define-se biodanza
como o sistema de integração afetiva
, renovação orgânica, e reaprendizagem
das funções originárias da
vida. A integração afetiva consiste
no restabelecimento da unidade entre a percepção,
a motricidade, a afetividade e as funções
viscerais. A renovação orgânica
consiste na manutenção da harmonia
homeostática, ou seja, da estabilidade
orgânica do organismo. A reaprendizagem
das funções originárias da
vida significa a reavaliação de
nosso comportamento e do nosso estilo de vida,
de acordo com os nossos instintos básicos.
(Toro, 1991; Garaudy, 1989)
O criador desse sistema foi o psicólogo
antropólogo chileno Rolando Toro, O princípio
biocêntrico é o primeiro e fundamental
paradigma da Biodanza constituindo-se na proposta
mais avançada e desafiadora de Rolando
Toro (Toro, 1991).
A biodanza não depende de conhecimento
técnico de passos específicos aos
diversos sons musicais. Consiste em ouvir e sentir
a música com todo o corpo, fazendo vibrar
desde os pés até a cabeça,
no intuito de relaxar a mente, soltar o controle
dos controle consciente e deixar que o inconsciente
atue, fazendo fluir no seu eu, deixando o corpo
movimentar-se sem preocupações,
criando sua própria linguagem e liberando
todas suas emoções (Vecchia 2002)
A principal preocupação no trabalho
de biodanza é a profilaxia: não
somente sobreviver, mas, viver com uma boa qualidade
de vida, saudável e feliz, tal como o personagem
do romance Zorba o Grego, ter a satisfação
de viver e dançar a vida. Diferentemente
da ginástica convencional na biodanza as
pessoas descobrem novos estímulos para
a vida, despertam uma nova atitude frente as pessoas:
esposo(a), filhos, netos. Os praticantes de biodanza
nunca se isolam em um canto da vida; estão
sempre dentro de um grupo participando com alegria
(Toro, 2002).
A biodança potencializa e restaura os níveis
orgânicos pelo movimento, reativando o desejo
de viver com intensidade, alegria e saúde.
O processo de indução de vivências
integradoras promove o encontro e a experiência
humana, para desenvolver potenciais herdados geneticamente,
provocando mudanças no sentir, pensar e
agir, elevando qualidade da saúde, a mente
e restabelecendo o vínculo afetivo nós
mesmos, com o próximo e com a natureza
(DALLA VECCHIA, 2001)
Objetivo
Proporcionar uma abordagem terapêutica,
a partir da biodança, para os indivíduos
pertencentes à uma comunidade universitária
(Universidade Federal de Santa Catarina- UFSC),
portadores de um perfil lipídico alterado
associado com fatores de risco para doenças
cardiovasculares, de forma a produzir modificações
estáveis no estilo de vida, diminuindo
o estresse e elevando a qualidade de vida dos
participantes
Metodologia
Este trabalho foi realizado com 29 indivíduos
pertencentes a uma Comunidade Universitária
(UFSC), integrantes do NIPEAD (Núcleo Interdisciplinar
de Pesquisa, Ensino e Assistência a Dislipidemia
do Hospital Universitário) que realizaram
sessões de biodança, durante o ano
se 2002. As aulas foram realizadas uma vez por
semana por uma enfermeira e facilitadora voluntária.
Cada sessão levou em média 2 horas,
sendo que 30 minutos foi utilizado para uma introdução
teórica e para depoimentos dos participantes
referentes sobre as vivências da sessão
anterior, as descobertas, as mudanças existenciais,
e o compartilhar do sentir . O restante do tempo
foi utilizado para parte prática, onde
o professor respeitou o nível motor de
cada individuo, sem produzir fadiga. Os exercícios
foram progressivos. Para avaliação
do estresse foi aplicado aos pacientes um questionário
de Lipp et .al. (1986) e exames bioquímicos,
foram realizadosResultados e discussão
As condições atuais em que vivemos
nos colocam em constante tensão e estresse.
Independente do fator que causou o estresse, nosso
corpo faz um esforço para adaptar-se a
nova situação. Contudo, quando os
estímulos forem excessivos e por longos
períodos, os mesmos podem levar a uma série
de complexas reações bioquímicas
e fisiológicas, desencadeando situações
patológicas (Nahas, 2001). Em adição,
numerosos estudos consideram que o estresse provoca
altos níveis de colesterol total (CT),
LDL-colesterol e diminuição de HDL-colesterol,
sugerindo um aumento de doenças cardiovasculares
(Roy et.al., 2001).
Considerando que o estresse é um fator
de risco para doenças cardiovasculares
(Lipp & Rocha, 1996), recentemente fizemos
um trabalho com os pacientes do núcleo
de dislipidemia e verificamos que a maioria dos
nossos pacientes vivem constantemente com estímulos
estressantes e na maioria das vezes elas não
conseguem administrar este estresse, o que tem
gerado diversas doenças (Ronsein, 2002).
Segundo a literatura, a biodanza trabalha, em
grupo, por meio de exercícios específicos,
que estimulem os potenciais genéticos de
cada participante. Na verdade este processo ocorre
concomintantemente com o outro, de forma que essa
comunicação começa a melhorar
a auto-estima da pessoa e também a aceitação
do outro com todas as sua diferenças, harmonizando
o indivíduo com seu semelhante e na sintonia
com o ambiente, produzindo vivências integradoras
que se mesclam com a música, canto e a
uma situação mais efetiva (Toro,
1991). Dentro deste contexto está a biodanza,
utiliza uma metodologia, cujos mecanismos induzem
à mudanças orgânicas e existenciais,
integrando os centros propulsores de harmonia
e os sintomas caem por falta de suporte físico,
psíquico e neurológico (DALLA VECCHIA,
2002).
A pratica da biodanza proporciona expressão
de emoções que, quando harmonizadas,
reduzem a rigidez das couraças musculares
existentes, que em muitos caso são responsáveis
pelas dores de cabeça, depressão,
estresse, entre outros males da vida moderna.
Desta foram, gradativamente, re-estabelece-se
o equilíbrio do corpo e alcança-se
a saúde física e mental (DALLA VECCHIA,
2002).
Trabalhos preliminares realizados por Cantos et.
al (2003 e 2004) e Melo et. al (2004) com esses
pacientes, mostraram que a biodanza poderia reduzir
a ansiedade, favorecendo no processo de harmonia,
de repouso, de serenidade e de interiorização
do indivíduo. Pelas respostas do questionário
de estresse (Lipp et . al , 1986), pode-se notar
que 83,3% dos indivíduos que participaram
ativamente das sessões de biodanza melhoraram
o estado de estresse, comparado à 58,3%
em relação aos que participavam
do programa do NIPEAD, mas que não realizavam
este tipo de atividade.
Assim, a biodança foi uma forma de psicoterapia
recomendável para os indivíduos
com doenças cardiovasculares, pois ela
melhora o diestresse (estresse negativo), aumentando
a vitalidade e diminuindo as tensões. Percebeu-se
por exemplo, do decorrer das secções
de biodança que houve melhorias na concentração
de magnésio, cuja falta se traduz por nervosismo,
problemas de sono e angústia. Segundo alguns
depoimentos a biodança ajudou muito as
pessoas no auto-conhecimento, na melhora da auto-estima;
no modo de ver e entender melhor o mundo; no desenvolvimento
da sensibilidade e afetividade e atenção
para com os outros, melhorando o relacionamento
social e familiar. Outros depoimentos mostraram
ainda que as pessoas passaram a gostar mais de
si mesmas, sentindo-se mais livres e mais tranqüilas;
passaram a tocar as pessoas sem constrangimento
e a olha-las de frente; a sentir e observar mais
a natureza; a enxergar as pessoas que passavam
despercebidas.
Na verdade, nossa capacidade de percepção
das coisas boas e belas, nossa sensibilidade pelo
lado maravilhoso da vida são constantemente
perturbadas pela ansiedade, pela preocupação,
pelo medo, pelos preconceitos e pela agressão.
Segundo Toro, nossa vida não pode consistir
apenas em ter o que comer, o que vestir e onde
morar. Temos necessidades também de carinho,
amor, alegria, e capacidade de expressão
e comunicação. Necessitamos, com
urgência, recuperar nossa qualidade de vida
através da reintegração ao
ritmo natural e orgânico de nossa própria
existência. Precisamos retomar o valor da
contato com os outros, da amizade, da convivência
e do amor sem repressão. Devemos redescobrir
que somos parte do universo, seres que manifestam
o maravilhoso fenômeno da vida. Mas isto
não se consegue apenas com intenções
ou propostas intelectuais. Há muito tempo
viemos priorizando o conhecimento, a racionalidade,
a intelectualização das relações
e esquecendo ou reprimindo o envolvimento emocional
com a essência das coisas e dos seres vivos.
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