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EXPERIÊNCIAS
PROFISSIONAIS COM EDUCAÇÃO BIOCÊNTRICA
Cleber Castilhos
Cleusa Maria Denz dos Santos
Resumo
Esse artigo contém o relato de experiências
profissionais desenvolvidas com a Educação
Biocêntrica. A intenção dos
autores é compartilhar com o público
em geral e, em especial com pessoas que trabalham
com outras pessoas, as possibilidades de atuação
e o alcance dessa metodologia. Foram selecionados
quatro trabalhos, em períodos e grupos
de pessoas distintos, nos últimos seis
anos.
Nossa formação em Educação
se deu na década de 80, período
fértil no cenário político
e social brasileiro. Grandes debates eram organizados
nas Universidades e Centros Populares de Cultura.
Seguidamente pessoas como Paulo Freire, Moacir
Gadotti, Frei Betto e outros eram congressistas
nos Encontros promovidos pelos centros acadêmicos
e entidades de classe. Aprendemos nesse período,
a militância por uma Educação
Libertadora, que garantisse o livre acesso de
todos à Educação.
No início da década de 90 ocorreu
nossa formação em Biodança.
Quando tivemos acesso a esse Sistema, logo se
vislumbraram aos nossos olhos a possibilidade
de agregar essa metodologia aos nossos trabalhos
sociais. Assim sendo, em vários Encontros
e Seminários tivemos a oportunidade de
apresentá-la, constatando a sua força
e o encantamento que provocava em todos os participantes.
A experiência enquanto profissionais de
Biodança e os trabalhos até agora
realizados, nos fazem ter hoje a certeza do quanto
ela é potente e revolucionária.
Há, com certeza, um grande caminho a ser
percorrido, expandindo a Biodança dentro
e principalmente fora dos salões “tradicionais”.
Em nossa caminhada, contudo, fomos percebendo
que o atendimento à demanda de determinados
grupos institucionais precisava de uma metodologia
específica e mais objetivamente reflexiva.
Agregamos aos nossos conhecimentos teóricos
e vivenciais em Biodança, outras metodologias
e teorias como a Dinâmica de Grupo, Psicologia
Transpessoal, Dialogismo, Gestaltpedagogia, Sociodrama,
além de inúmeras leituras realizadas
na preparação de cada novo trabalho
de acordo com a demanda apresentada. Fomos obtendo
“resultados” maravilhosos, e são
alguns destes resultados que estamos nos propondo
a compartilhar neste artigo.
Gostaríamos de dizer também, que
em nossa prática como educadores sempre
pautamos a educação para muito além
do espaço escolar. Acreditamos que este
deva ser urgentemente transformado em um espaço
com Vida e Saúde, contudo há inúmeros
outros espaços onde a aprendizagem também
se dá e muitos deles sedentos de expressão
e reconhecimento.
“Educar para uma cidadania global é
ensinar a viver na mudança e não
querer controlá-la. Compreender que é
impossível querer desacelerar o mundo e,
assim, procurar adaptar a nossa forma de educar
às mudanças rápidas e aceleradas
presentes no mundo. É ter uma atitude interna
de abertura e não de fechamento, uma atitude
de questionamento crítico e, ao mesmo tempo,
de aceitação daquilo que julgar
relevante. Implica desenvolver uma boa capacidade
decisória, perceber e compreender as diferentes
alternativas, os diferentes caminhos que se apresentam,
compreender que cada individuo é quem decide
e constrói o seu próprio caminho
e que é preciso ser flexível para
perceber quando será necessário
refazer o caminhar. Pressupõe a compreensão
da Vida como um processo dinâmico, flexível,
criativo, interdependente, um processo individual
e coletivo que lembra que nossos pensamentos e
nossas ações repercutem não
apenas no contexto em que vivemos, mas numa dimensão
muito mais ampla do que possamos imaginar.”
Pensando assim, encontramos na Educação
Biocêntrica, oriunda da Biodança,
não um substituto desta, tão pouco
uma mera aplicação da mesma em escolas,
mas uma alternativa bastante objetiva nesse processo
de transformação social. A Educação
Biocêntrica na nossa opinião, longe
de estar “fechada” ou “concluída”,
passa por uma sistematização diferenciada,
que tem sido objeto de estudo em muitos trabalhos
acadêmicos e em monografias das Escolas
de Formação em Biodança.
“É importante salientar, portanto,
que não devemos confundir as duas abordagens.
A Biodança foi a fonte inspiradora, mas
a tendência que identificamos como Educação
Biocêntrica construiu-se metodologicamente
no caminho vivencial e reflexivo no processo de
construção do conhecimento de forma
integrada para a revelação do Ser
em sua interação social para a evolução
da vida, enquanto que a Biodança se constitui
em um método rigorosamente vivencial para
expressão dos potenciais genéticos
em seus níveis de vinculação
com a Vida.” Marcos Cavalcante - Educação
Biocêntrica
Nossa experiência com Educação
Biocêntrica teve inicio há seis anos
e há quatro caminhamos juntos numa construção
coletiva. Não vamos nos alongar em detalhes,
mas compartilhar nosso histórico e o registro
de alguns “resultados” obtidos.
Citaremos a seguir alguns de nossos trabalhos
com programação pautada na Educação
Biocêntrica, cujos temas foram dos mais
diversos de acordo com a demanda de cada instituição:
SESI - Serviço Social da Indústria
do estado de Santa Catarina, com as Assistentes
Sociais Regionais;
APAE – Associação de Pais
e Amigos de Excepcionais da Cidade de Florianópolis,
com os profissionais administrativos e técnico-científicos;
CMDS – Conselho Municipal de Desenvolvimento
Sustentável em quatro municípios
do Ceará, nos quais se trabalhava todo
o município, desde o setor administrativo,
câmara de vereadores, setores organizados
da comunidade e profissionais não organizados
como religiosos, pescadores, costureiras...
Fundação de Ação Social
– Projeto de Geração e Renda
– Centros Comunitários em Fortaleza/CE,
com a população inscrita nos cursos
de capacitação profissional,
Fundação Abrinq – Elaboração
de Projetos – Trabalhos com representantes
de ONG’s e associações em
Fortaleza/ CE;
Instituto de Ecologia Humana – Elaboração
do Plano de Educação Ambiental do
Estado do Ceará em Fortaleza/ CE, com representantes
do Poder Executivo Estadual e Municipal, representantes
não-governamentais e de setores da sociedade
vinculados a esse tema.
Programa de Integração e Desenvolvimento
da Equipe Profissional da Paramont Asia Ltd.,
Dongguan/ China, com os gerentes e funcionários
brasileiros e chineses da empresa.
Município de Ibiapina/CE - com Secretaria
Municipal de Educação e todos os
educadores da rede municipal de ensino;
Município de Itapajé /CE –
com a Secretaria Municipal de Educação
e todos os educadores da rede municipal de ensino;
Município de Marco/CE – com a Secretaria
Municipal de Educação e todos os
educadores da rede municipal de ensino;
Município de Sinimbu/RS – com todos
os educadores da rede municipal de ensino;
Município de Cachoeirinha/RS - com educadores
da rede Municipal de ensino e orientadores educacionais;
Município de Viamão/ RS –
com a Secretaria Municipal de Educação;
com educadores das escolas rurais, diretores,
e professores da rede municipal de ensino;
Município de Portão/RS – com
Educadores da rede municipal de ensino;
Município de Esteio/RS – com a Secretaria
Municipal de Educação, Merendeiras,
Serventes, Secretários, e no Projeto Sexualidade
e Gênero;
Município de Estrela/RS – com Educadores
da rede municipal de ensino.
Em nossa concepção, a educação
é uma construção cotidiana
entre todos que convivem ou de alguma forma interagem,
querem seja nas relações de trabalho,
familiares, de estudos, de grupos de crescimento,
de formação política, organizações
e entidades classistas, entre outras. O compromisso
é de todos, independente da representação
social que se exerça.
Em vista disso, para que nossos projetos aconteçam
o mais próximo da realidade e com maior
eficiência e “resultados”, procuramos
nos locais de trabalho sempre que possível
inserir todos os integrantes da instituição,
bem como todos que compõem as chefias,
direções ou no caso dos municípios,
as Secretarias correspondentes:
para que todos tenham conhecimento do que está
sendo feito e possam responder a qualquer indagação
feita,
para que conheçam nosso trabalho e saibam
exatamente o que, como e porque falamos de um
novo paradigma,
para que possam usufruir dos benefícios
dos encontros, mesmo que indiretamente,
para que as equipes sejam também multiplicadoras
e tenham condições de dar continuidade
a estes encontros.
Existem alguns temas que com maior freqüência
trabalhamos, contudo, a demanda que se apresenta
às vezes é outra e nós nos
adequamos a esta nova realidade buscando trazer
sempre a teoria para o cotidiano dos participantes.
Entre a listagem anteriormente citada de trabalhos
que realizamos, selecionamos quatro experiências,
para compartilhar os “resultados”.
EXPERIÊNCIA A
PÚBLICO: Membros de uma Secretaria Municipal
de Educação – ano 1998
OBJETIVO: Diagnosticar as necessidades individuais
das pessoas que compunham a Equipe e, em relação
a estas, às necessidades da Instituição.
TEMPO DE DURAÇÃO: Um encontro de
8 horas
Diante do objetivo proposto, formulamos duas
perguntas ao grupo:
O que eu espero do meu trabalho?
O que a Secretaria espera de mim?
Os dados foram recolhidos de forma anônima
e listados em flip chart.
A estas interrogações, seguiu-se
como encaminhamento:
estas duas perguntas se correspondem entre si?
(o que queremos e o que quer a Secretaria Municipal
de Educação),
estas duas perguntas se relacionam efetivamente
com a realidade? Estamos conseguindo efetivar
na prática tanto nossas expectativas quanto
às da Secretaria?
É importante salientar que os dados que
seguiram ao diagnóstico só foram
disponibilizados dados a confiança e o
vínculo estabelecido desde o início
do trabalho.
A partir da análise feita conjuntamente
consideramos que os educadores não estavam
realizando aquilo que se propuseram, bem como
suas funções não estavam
delimitadas. Percebemos também que o que
os educadores esperavam do seu trabalho divergia
do que era esperado pela Secretaria.
Seguiram-se a essa técnica, dinâmicas
onde se evidenciou carência de vínculos
e de conhecimento entre os colegas de trabalho.
Na parte final do trabalho utilizamos uma vivência
de integração, procurando fortalecer
a identidade dos participantes, bem como exercícios
que estimulasse a prática da solidariedade
– requisito básico para educadores
que assessoram outros educadores.
Como a proposta era um diagnóstico concluímos
que o objetivo foi altamente satisfatório
ficando programados os encaminhamentos a serem
realizados pela Secretaria. Mais uma vez percebemos
o quanto esta metodologia colhe informações
rápidas e precisas, de uma forma honesta
e transparente, sem expor os participantes.
EXPERIÊNCIA B
PÚBLICO: Educadores de duas escolas municipais
no Rio Grande do Sul, ano 1999.
OBJETIVOS:
refletir sobre a teoria da Educação
Biocêntrica na perspectiva de melhorar a
qualidade de ensino na escola, reconhecendo o
processo educacional como fator de transformação
pessoal e social,
fortalecer a identidade do educador e instigar
o exercício da cidadania,
favorecer um crescimento pessoal e profissional,
propiciar o desenvolvimento do educador, a fim
de despertar para a análise crítica
e prática de novos paradigmas educacionais.
TEMPO DE DURAÇÃO:
10 encontros que ocorreram mensalmente aos sábados
TEMAS TRABALHADOS:
Um Novo Paradigma para a Educação;
O Grupo enquanto Organismo Vivo;
Saúde é Qualidade de Vida;
O Educador necessário para a Sociedade
Atual;
Ética e Cidadania;
Relações Interpessoais;
Vivência: Coerência entre Sentir,
Pensar e Agir;
A Pedagogia do Encontro;
Liderança e Cooperação;
Ecologia: Cuidado e Compromisso com a Vida.
1ª Escola
Nos primeiros encontros contamos com a presença
de 60 pessoas, inicialmente em caráter
obrigatório (convocação).
Nossa metodologia se dividiu em dinâmicas
que fizemos no início dos encontros para
integrar, apresentar, e criar um clima favorável
para a realização dos trabalhos.
Num segundo momento houve o desenvolvimento dos
conteúdos teóricos através
de transparências, exposição
e técnicas, através das quais discorremos
sobre o assunto proposto.
No primeiro tema procuramos passar o histórico
da construção e formação
de um grupo e a importância deste para cada
indivíduo, socialização,
identidade, motivação e coesão
grupal.
No segundo tema falamos sobre o que é um
paradigma, as correntes e a correlação
entre a educação libertadora, construtivista
e biocêntrica, as conseqüentes interferências
da globalização no nosso dia-a-dia
e no nosso trabalho. A necessidade urgente de
ampliar nossa percepção e visão
de mundo, sociedade e do que queremos e do que
nossos alunos estão de fato precisando
para aprender a aprender, a se relacionar, a cooperar,
a serem mais cidadãos.
No decorrer dos encontros e através das
discussões fomos percebendo que se fazia
necessário conversar sobre Saúde,
então colocamos como propostas para nossas
discussões o tema: “Saúde
é Qualidade de Vida”. Fomos discutindo
sobre este tema até sentirmos a necessidade
e curiosidade de ver como estava aquele grupo
que conversava sobre a saúde como algo
tão distante deles. Fizemos então
no terceiro encontro, um levantamento do estado
de saúde física e emocional, que
individualmente o grupo preencheu de forma anônima.
Como eram 60 pessoas ficou bem fácil não
haver identificações. No encontro
seguinte trouxemos em transparências os
resultados e conversamos com o grupo sobre eles.
A partir destes dados compartilhados, traçamos
uma linha de trabalho. Em cada encontro posterior,
incluímos nas dinâmicas, técnicas
e vivências, elementos para a estimulação
da saúde e motivação em geral.
No decorrer dos encontros por solicitação
dos mesmos passou-se de convocação
para convite. O que, somado as dificuldades pessoais,
cansaço proveniente do final de ano, pelo
acúmulo de sábados trabalhados,
além do descontentamento com a instituição
o grupo reduziu-se em 42 participantes. Avaliamos
assim, baseando-nos nas próprias colocações
das pessoas e nas avaliações por
escrito que fizemos ao final de cada encontro.
Para nossa grata satisfação, o absenteísmo
não foi tão alto como poderia ser,
e, não apenas os índices motivacionais
melhoraram, como também os índices
de saúde física em geral (dores
de cabeça, dores na coluna, etc.). Além
disto, pelas avaliações do grupo,
da instituição e nossa acreditamos
ter atingido os objetivos propostos.
As avaliações das pessoas foram
de um modo geral favoráveis ao trabalho
ressaltando a importância da integração:
“diminuir a inibição”,
“derrubar a timidez e o preconceito”,
“diminuir as tensões”, “conhecer
de fato os colegas de trabalho”, “vivenciar
mais a escola”, “metodologia”,
“sorrir”, “discutir em grupo”,
“refletir sobre nossas ações”,
“encontrar colegas dos três turnos”,
“sentir emoções”, “confiança”,
“reforçar a auto-estima”, “descontração
do grupo”, “abraçar as pessoas”,
“poder falar o que pensamos”.
Como observações desfavoráveis
temos: “ser aos sábados”, “pouco
tempo de duração”, “que
é um processo lento”, “que
a S.M.E. não está envolvida”,
“falta de valorização profissional”.
2ª Escola
O trabalho realizado nesta segunda escola foi
bastante peculiar, dadas às desafiadoras
condições iniciais: a direção
da instituição estava sob processo
de intervenção e havia divisão
do grupo. Nos primeiros encontros os educadores
foram convocados e nos subseqüentes houve
convite, com presença facultativa. Embora
não achássemos convocação
a melhor forma, concordamos com a decisão
da Secretaria em viabilizar os primeiros encontros,
até para oportunizar que as pessoas conhecessem
nossa proposta e pudessem optar por usufruir ou
não de nosso trabalho.
Contamos inicialmente com a presença de
56 pessoas.
Como primeiro tema, face às informações
obtidas da realidade e recentes acontecimentos
que deram origem ao inquérito administrativo,
além dos itens já apontados na primeira
escola enfocamos mais direta e assertivamente
“O Grupo enquanto um organismo vivo”.
Neste encontro, utilizamos uma dinâmica
de montagem de “quebra-cabeças”
com texto elucidativo sobre “solidariedade”.
Fizemos questão de separar os “subgrupos”
já existentes (constatou-se divisão
no grupo), dando margem a possibilidades de descoberta
de novos colegas e novas formas de relacionamento.
O objetivo da dinâmica era claro, descobrir
soluções coletivas para situações-problema.
Nos dados amostrados no primeiro levantamento
apare-ceram altos índices de insatisfação
(irritação, descontentamento, ressentimentos,
etc) que se reduziram gradativamente ao final
do projeto. Embora o processo de inquérito
administrativo tenha se prolongado durante todo
o período em que estivemos realizando nossas
atividades, houve uma reflexão satisfatória
no grupo, diminuindo a presença de subgrupos
rivais que vinham dificultando a integração
de toda a comunidade escolar.
Além dos encontros previstos, ocorreu também
uma apresentação do projeto numa
reunião do Conselho Escolar (educadores,
pais e comunidade), comprometendo-se os mesmos
naquele momento com a participação
no trabalho.
Ao final dos encontros constatamos que o número
decrescente de participantes se deu mais pela
indefinição da sindicância
e posteriormente do inquérito administrativo,
pelo descontentamento financeiro com a instituição
– colocando-se contra qualquer proposta
advinda da Secretaria Municipal de Educação
do que por não concordar ou não
acreditar na nossa proposta de trabalho.
Pensamos que apesar do tempo ter sido menor do
que prevíamos, do número decrescente
de participantes e da crise interna proveniente
do desconhecimento do resultado do inquérito
administrativo, conseguimos atingir alguns dos
objetivos propostos.
As avaliações das pessoas foram
de um modo geral favoráveis ao trabalho
ressaltando a importância da integração
de grupo, “melhor relacionamento com colegas
que eu não sentia muita simpatia”,
“fazer e responder perguntas”, “gostei
de tocar nas pessoas, pois aproxima”, “de
poder contar com a força dos meus amigos”,
“falei o que pensei não pensando
em ser diferente dos outros”, “de
estarmos todos juntos”.
Como observações desfavoráveis
tivemos: “ser aos sábados”,
“ser convocação”, “pouco
tempo de duração”, “não
ter começado no início do ano”,
“que é um processo lento”,
“falta de valorização profissional”,
“poucos participantes”.
EXPERIÊNCIA C
PÚBLICO: Diretores, Orientadores, Supervisores
e Professores de um município do Estado
do Rio Grande do Sul, ano 2000.
OBJETIVO: Desenvolvimento do Projeto de Sexualidade
e Gênero, dentro do Programa de Formação
Continuada aos Educadores da Rede Municipal, de
forma a ampliar as discussões e torná-las
mais abrangente sem perder a profundidade dos
assuntos.
TEMPO DE DURAÇÃO: Encontros de 04
horas mensais, de abril a novembro do ano 2000.
No primeiro encontro resgatamos o histórico
do projeto e levantamos a ansiedade e necessidades
dos profissionais presentes. Isto acabou originando
um diagnóstico em que os professores interessados
em participar listaram suas necessidades, surgindo
daí o corpo do trabalho no qual procuramos
casar relacionar os temas sugeridos, com os temas
maiores: Sexualidade e Gênero.
Ficou assim a programação anual:
Abril – Sexualidade e Gênero
Maio - Agressividade e Violência
Junho - Auto-imagem e Auto-estima
Agosto - Identidade sexual e Identidade de Gênero
Setembro - Preconceitos, medos e fobias
Novembro - Funções e características
do Contato e da Carícia
A sistemática do trabalho consistiu em
termos além dos encontros com os educadores
das escolas, uma reunião com a equipe de
coordenadores da Formação Continuada
da Secretaria, principalmente com as pessoas que
participavam dos encontros, para podermos juntos
avaliá-lo e programar eventuais mudanças
de dinâmicas e/ou conteúdos para
o encontro seguinte.
Nos encontros procurávamos sempre ao iniciar,
retomar o tema anterior, com nossa fala ou com
alguma dinâmica, e finalizávamos
os encontros sempre com uma avaliação
(aconteceu em duas ocasiões em virtude
do horário, desta avaliação
ficar com as pessoas para a entrega posterior
na secretaria). Todas as avaliações
entregues eram lidas nos encontros com a Secretaria
de Educação, e estão todas
na pasta do Projeto Sexualidade e Gênero
na mesma Secretaria, bem como uma síntese
com todas as avaliações do encontro.
Os encontros inicialmente contemplavam os três
turnos, com grandes oscilações no
horário noturno, o que acabou acarretando
a suspensão dos trabalhos neste período.
A participação dos encontros foi
de um modo geral muito boa, as pessoas procuraram
na medida do possível não faltar,
embora houvesse em algumas escolas bastante dificuldade
de liberação e por isso muitas acabavam
vindo em horários diferentes. Acreditamos
pelas avaliações que o maior motivo
de ausências, em especial depois de junho
foram as dificuldades em conciliar horários
na escola.
A metodologia utilizada primou pelas exposições,
discussões em pequenos e grandes grupos,
leituras, dinâmicas, técnicas para
aprofundarmos algum tema e vivências. Acreditamos
contudo, que os grupos caminharam diferentemente.
O grupo da tarde, com 34 participantes, de certa
forma solicitou da nossa parte, uma abordagem
bem mais vivencial do que o grupo da manhã.
Para exemplificar: no grupo da manhã, com
41 participantes, em dois encontros redimensionamos
o trabalho durante o andamento do mesmo, retirando
totalmente as vivências e tornando a discussão
e o debate sobre o assunto extremamente vivencial.
O que sentimos é que de fato tornaram-se
dois grupos, a discutir profundamente suas questões
escolares, profissionais e também pessoais,
com muito vínculo e confiança no
grupo ao qual pertenciam, porém cada qual
da sua forma. Da nossa parte, nos restou respeitar
o ritmo dos grupos e prosseguir.
Acreditamos e sugerimos que seria interessante,
estes mesmos profissionais se reunirem e fazerem
juntos com a Secretaria um projeto para trabalhar
este tema: Sexualidade e Gênero, na escola,
com seus colegas, alunos e principalmente com
a comunidade (necessidade esta apresentada em
vários momentos).
Terminamos o ano com muita alegria pelo trabalho
realizado, acreditando que o objetivo inicial
tenha sido alcançado e com a certeza de
que ficaram muitas sementes férteis. Podemos
dizer isto baseado nas avaliações
feitas a cada encontro, pela fala e pelo próprio
caminhar do grupo que em todos os encontros contavam
a aplicação das nossas discussões,
técnicas e vivências na escola, os
“resultados” concretos junto as crianças
e a própria comunidade escolar.
EXPERIÊNCIA D
PÚBLICO: Chefias e funcionários
brasileiros e chineses da empresa Paramont Asia
Ltd., localizada na cidade de Dongguan, na Republica
Popular da China, ano 2000/01.
OBJETIVO: O desafio proposto foi a Implantação
do Programa de Integração das Equipes
Profissionais daquela empresa, através
da metodologia da Educação Biocêntrica.
TEMPO DE DURAÇÃO: Atividade “in
company” diária, de outubro de 2000
a janeiro de 2001.
O Programa se deu como parte integrante da política
de qualidade da empresa, em associação
a ISO9002 e SA8000 (Responsabilidade Social).
A equipe foi distribuída em 4 grupos operacionais
que se reuniam duas vezes por semana. Nesses encontros
tivemos a oportunidade de desenvolver as relações
interpessoais entre os colaboradores brasileiros
e chineses.
Acreditamos, e a experiência dos fatos nos
comprovou, que a Educação Biocêntrica
transcende as fronteiras culturais e barreiras
lingüísticas, utilizamos desde técnicas
e dinâmicas às vivencias de Biodança.
Os resultados obtidos foram surpreendentes, conforme
as próprias palavras dos participantes:
Depoimento 1 : -“Que bom que temos alguma
coisa pensando no bem-estar dos funcionários.
Acho que talvez o curso não va solucionar
a maioria dos problemas, mas é muito positivo
no sentido de estarmos fazendo alguma coisa por
nós mesmos. Pessoalmente estou muito contente
com o curso pois pude utilizar várias técnicas
na minha rotina de vida e de uma forma geral está
me ajudando a enfrentar as minhas dificuldades
do dia-a-dia.
Depoimento 2: - “Gostei da integração
com outros colegas e de podermos valorizar mais
nossos sentimentos. O professor é uma pessoa
sensacional/equilibrado, nos transmite segurança
e experiência no que faz. Relaxar um pouco.
Nos faz sentir que somos humanos e não
máquinas. Parar e pensar o que somos, fazemos
e onde estamos. Dar mais valor ao sentimento.”
Depoimento 3: - “Gosto da reunião
do grupo. O tempo de reflexão e concentração.
Se conhecer melhor como pessoa, como profissional.
Direcionar e ordenar nossos objetivos de vida”.
Depoimento 4: - “Muito bom da parte da nossa
empresa criar este Programa de Integração
e Desenvolvimento, gosto de participar dos encontros,
me sinto muito bem participando e também
de ouvir algumas palavras e frases que tocam na
nossa vida e que as vezes estão esquecidas”.
Depoimento 5: - “Acredito que o que estamos
fazendo está ajudando muito na melhoria
do ambiente entre nós, porque às
vezes não é fácil de administrar
certas coisas que acontecem no dia-a-dia. É
uma maneira de conhecermos melhor uns aos outros,
que antes não era fácil de acontecer,
porque sempre havia os grupinhos de pessoas”.
Depoimento 6: - “Estas horas que nos reunimos
para mim são um dos momentos bons que eu
tenho aqui na China, pois além de estar
com todo o pessoal, estas horas me deixam com
estado de espírito tranqüilo”.
Depoimento 7: - “Que bom que surgiu este
trabalho para nós, pois foi uma forma de
integrar o grupo muito legal. Com esse trabalho
tenho certeza que todos os colegas se conheceram
melhor e acima de tudo, se respeitam mais.”
Depoimento 8: - “Que bom que neste ano
surgiu este programa que nos ajuda de certas formas.
Eu nunca havia participado deste tipo de programa
ou similar. Eu vejo a extrema boa vontade do professor
em querer nos ajudar. Que bom que alguém
na empresa, creio o Gerente Geral, tenha oportunizado
este programa. É bom saber que o professor
se preocupa com o nosso bem-estar.”
A implantação do Programa foi estabelecida
em quatro meses, com um alto índice de
satisfação tanto para nós
como para os funcionários e o presidente
da empresa. Atualmente o Programa é mantido
com um acompanhamento à distância
e periodicamente atualizado com a atuação
“in company”.
Relatamos propositalmente experiências com
públicos, temáticas e épocas
distintas para confirmar a nossa constatação
de que esta metodologia além de atingir
os objetivos teóricos, discorrer sobre
algum tema, fazer diagnóstico, provocar
discussão e leitura sobre determinados
assuntos, consegue fazê-lo de forma biocêntrica,
ou seja, centrada na Vida, com a escolha dos autores
e de textos, de técnicas e dinâmicas
que trabalhem o saudável, valorizando e
qualificando sempre.
Ao final de cada trabalho, tenha se realizado
em um dia ou em um ano, conseguimos colher muitos
frutos e mais que isto, o nosso objetivo principal:
semear muitas sementes de vida, amor, luz, esperança
e solidariedade, num mundo tão carente
do verdadeiro encontro e da verdadeira Educação.
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